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Episódios
Lucélia Santos (parte 2): “Acima do ser humano, luto pela floresta. É o que pode dar vias de sobrevivência a tudo que vive”
OuvidoLucélia Santos (parte 1): “É difícil essa coisa do mito. Estou radicalmente fora da sociedade de consumo, de glamour, de falsidades, da exposição egóica”
OuvidoJúlia Pinheiro (parte 2): “Nós já não estamos a pensar. Delegamos tudo à máquina. E não refletimos a mutação desse modo de vida. Isto deixa-me um elefante no peito”
OuvidoJúlia Pinheiro (parte 1): “Não estou habituada a que me escutem. As pessoas sabem muita coisa sobre mim, mas se calhar não sabem nada…”
OuvidoFilipa Leal (parte 2): “Quero ser melhor amiga, melhor amante e melhor pessoa. Também tento viver melhor e escrever melhor”
OuvidoFilipa Leal (parte 1): “À medida que a vida me começou a doer, curiosamente, o humor entrou na minha poesia”
OuvidoSusana Moreira Marques (parte 2): “A literatura é uma boa maneira de não formarmos opiniões rápidas. A boa literatura não nos fecha num ponto de vista”
OuvidoNesta conversa, a escritora Susana Moreira Marques discute o seu processo criativo fragmentário e a importância da crítica literária em Portugal. A autora reflete sobre a evolução da sua escrita, que passou de histórias alheias para a exploração da própria vida, da maternidade e do quotidiano. A discussão aborda também os desafios do jornalismo na era digital, a precariedade da vida de escritor freelancer e o papel da literatura como resistência ao imediatismo das redes sociais. O episódio encerra com recomendações culturais e uma reflexão sobre a beleza dos pequenos detalhes e a conexão humana através da arte.
Susana Moreira Marques (parte 1): “Escrevo para que as histórias sobrevivam à inevitabilidade do desaparecimento. As pessoas desaparecem, mas algo perdura”
OuvidoNeste episódio, Bernardo Mendonça conversa com a escritora Susana Moreira Marques sobre o processo de escrita, identidade e memória. A discussão explora como a não ficção literária serve como um exercício para manter o contacto com a própria essência e como a literatura exige tempo para transcender reações imediatas. A autora reflete sobre a relação entre jornalismo e literatura, detalhando a criação do seu livro 'Agora e na Hora da Nossa Morte', fruto de uma investigação sobre cuidados paliativos em Trás-os-Montes. O diálogo aborda a responsabilidade ética ao narrar histórias alheias, o impacto da maternidade no ciclo da vida e a importância de registar memórias para que as histórias do passado não se percam.
Dalila Carmo (parte 2): “Acredito no poder da emoção e da fragilidade. É preciso ser-se muito forte para expôr vulnerabilidades”
OuvidoNeste episódio, Dalila Carmo reflete sobre a identidade feminina, a importância de manter a singularidade e o impacto das redes sociais na privacidade. A conversa aborda temas profundos como o envelhecimento, a aceitação da autonomia após os 50 anos e a necessidade de vitalidade cognitiva ao longo da vida. A discussão explora ainda memórias profissionais, a filosofia da solidão e o papel da confiança nas relações humanas. Através de reflexões sobre vulnerabilidade, traumas e a importância do silêncio e da natureza, o episódio encerra com uma meditação sobre a importância de cultivar a alegria e a capacidade de se maravilhar com o quotidiano.
Dalila Carmo (parte 1): “A minha intensidade está mais moderada. Já não me levo tão a sério. Estou sem pressa para nada e mais contemplativa”
OuvidoO apresentador Bernardo Mendonça entrevista a atriz Dalila Carmo sobre as transformações em sua vida e carreira nos últimos cinco anos. A conversa explora a manutenção da identidade artística perante a indústria do entretenimento, o valor da maturidade para questionar sistemas e os desafios da escrita de ficção nacional. A conversa também aborda reflexões pessoais sobre viagens transformadoras pela América do Sul, a busca por refúgio na natureza e o impacto de ciclos de vida. O episódio encerra com uma análise crítica sobre a polarização política, a pressão estética contemporânea e uma homenagem de Martim Pedroso ao talento da atriz.
Filipe Homem Fonseca (parte 2): “É de uma petulância enorme acharmos que vamos ser a última das gerações. Vêm aí tempos piores, mas creio nas futuras gerações”
OuvidoNesta conversa, Filipe Homem Fonseca e o entrevistador exploram a versatilidade criativa entre o popular e o experimental, abordando o fascínio pelos musicais e a autonomia da obra de arte. A discussão evolui para uma reflexão profunda sobre o estado atual do mundo, tratando de temas como desigualdade social, resistência através do diálogo e o impacto das referências culturais no cinema e na literatura. A conversa percorre ainda recomendações de cinema, música e poesia, destacando a importância da preservação da memória perante o avanço tecnológico. O episódio encerra com reflexões sobre o processo de escrita, a beleza dos prazeres simples como a culinária e horizontes culturais que incluem viagens e novas descobertas.
Filipe Homem Fonseca (parte 1): “Acredito cada vez mais no vagar, na finitude e numa boa gargalhada”
OuvidoUma conversa profunda com o artista multidisciplinar Filipe Homem Fonseca sobre o processo criativo, a gestão de tempo e a importância do 'vagar' em oposição à cultura da rapidez. O episódio explora como cultivar a insegurança para buscar profundidade na escrita, a disciplina necessária perante a falta de inspiração e a autonomia dos projetos artísticos. A discussão evolui para uma crítica social sobre o impacto da Inteligência Artificial, a 'enxitification' da cultura e as ameaças da distopia tecnológica ao meio ambiente e às relações humanas. O episódio encerra com reflexões sobre a criatividade sob restrição e uma homenagem à versatilidade artística de Fonseca.
Viriato Soromenho-Marques (parte 2): “A paz é uma das mais difíceis invenções da Humanidade. E é a grande invenção e projeto que temos de realizar”
OuvidoNesta conversa profunda, o professor Viriado Sormenho Marques discute a lógica da guerra e as tensões geopolíticas atuais, abordando a dificuldade de construir a paz sob a ótica de pensadores como Clausewitz e Hobbes. O episódio explora a gravidade da crise climática, os riscos de pontos de ruptura nos ecossistemas terrestres e a transição de uma utopia de progresso para uma realidade distópica. A discussão percorre ainda a filosofia de Nietzsche sobre o niilismo e a perda dos fundamentos no Ocidente, culminando na apresentação da iniciativa Casa Comum da Humanidade como proposta de governação global. O episódio encerra com reflexões pessoais sobre memória, família e as inquietações sobre o futuro político e a soberania de Portugal.
Viriato Soromenho-Marques (parte 1): “Está a faltar-nos o espanto pela beleza do mundo. Uma vida boa deve extravasar a tecnologia e os ecrãs”
OuvidoNeste episódio, Bernardo Mendonça e o filósofo Viriado Sormenho Marques debatem a crise da verdade, a desinformação e a erosão dos direitos humanos na era moderna. A conversa explora como a instrumentalização de conflitos globais e a guerra de informação ameaçam a democracia e a convivência ética. A discussão avança para os riscos geopolíticos contemporâneos, abordando o perigo nuclear, a instabilidade na Ucrânia e os impactos da inteligência artificial. O debate reflete sobre a necessidade de uma postura de lucidez e grandeza moral perante um futuro marcado pela incerteza tecnológica e pela complexidade das construções de paz.
#5 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Madalena Sá Fernandes: “Procuro a resistência da alegria. Vivi uma fase escura. Agora trabalho para manter a alegria, o espanto e a curiosidade”
OuvidoNeste episódio, o apresentador Bernardo Mendonça conversa com a escritora Madalena Sá Fernandes sobre sua obra 'Leme', explorando como a escrita e a psicanálise servem como ferramentas para processar traumas de violência doméstica e dar voz ao silêncio. A conversa percorre temas como a ambivalência entre amor e ódio, o papel da literatura na denúncia social e a importância da alegria como forma de resistência. A entrevista também aborda as complexidades do meio literário, incluindo o machismo e os julgamentos sobre a aparência física das mulheres, além de refletir sobre o impacto das redes sociais na atenção humana. Madalena partilha memórias de infância, suas experiências transformadoras no Brasil e seus novos projetos criativos, encerrando com reflexões sobre cultura, política e a necessidade de empatia.
#4 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Vera Iaconelli: “A ideia de finitude é conselheira. Leva-me a viver o momento, sem nostalgia pelo passado ou ansiedade pelo futuro”
OuvidoNeste episódio, a psicanalista Vera Iaconelli explora as complexidades da identidade, do desejo e da finitude. A conversa aborda como a psicanálise auxilia no processo de desalienação dos desejos projetados por outros, permitindo que o indivíduo encontre sua própria voz através da linguagem e da escrita, transformando traumas familiares em narrativas de cura. A discussão expande-se para temas sociais urgentes, como as tensões de gênero, o impacto das redes sociais na subjetividade e a importância do trabalho invisível das mulheres. Vera também reflete sobre o envelhecimento feminino, a polarização política no Brasil e a necessidade de um olhar crítico sobre o racismo estrutural, encerrando com reflexões pessoais sobre os pequenos prazeres da vida e seus futuros projetos literários.
#3 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Filipe Vargas: “O egoísmo, a obsessão com o dinheiro, a falta de empatia desumaniza-nos. O povo desunido vai sempre ser vencido”
OuvidoNeste episódio, o ator Filipe Vargas partilha uma jornada de reflexão sobre a sua trajetória profissional, desde a publicidade até ao teatro, abordando temas como a resiliência emocional, a importância da amizade e a gestão do luto. A conversa explora a função da arte e do jornalismo como espelhos da realidade social, criticando o sensacionalismo mediático e a polarização política em Portugal. A discussão estende-se ao impacto das redes sociais na desinformação e à necessidade de educação crítica para combater o individualismo. O episódio encerra com recomendações culturais e reflexões sobre a importância de manter a abertura ao mundo e a capacidade de renovação constante perante as mudanças da vida.
#2 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Pedro Ribeiro: “Sou competitivo. Mas para ganhar tenho de saber perder. Antes de sermos líderes, vivi a frustração de perder”
OuvidoNeste episódio, Bernardo Mendonça entrevista Pedro Ribeiro, diretor da Rádio Comercial, sobre a trajetória na comunicação e os desafios do rádio na era digital. A conversa explora a importância de manter a autenticidade, o impacto dos horários matinais e a necessidade de inovação perante a concorrência tecnológica e o avanço da inteligência artificial. A discussão percorre memórias profissionais, a relação de confiança com os ouvintes e a essência humana do meio radiofónico. O diálogo encerra com reflexões profundas sobre liderança, a importância da experiência de vida e a valorização das pequenas alegrias do quotidiano.
#1 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Margarida Vila-Nova: “Já não tenho tempo para me aborrecer com pessoas feias, que vão tornar o dia pesado e chato. O tempo urge!”
OuvidoNeste episódio, exploramos a trajetória da atriz Margarida Vila Nova, desde o seu início precoce no cinema até ao período de renovação vivido em Macau. A conversa aborda temas profundos como o impacto do monólogo 'À Primeira Vista', os desafios do burnout e as reflexões sobre violência sexual e a sociedade portuguesa. A conversa percorre também a sua evolução profissional, o desejo de realizar projetos cinematográficos e a importância da arte como guia emocional, inspirada pela memória do seu pai. O episódio encerra com recomendações culturais que celebram a música, a literatura e a beleza dos pequenos prazeres do quotidiano.
Lisa Vicente (parte 2): “Faz-me impressão o ‘achismo’ sobre o que não se domina. Isso pode ser feito no café, mas não veiculado para milhões de pessoas”
OuvidoNeste episódio, a médica Lisa Vicentes discute os desafios na área da saúde para garantir o acesso e a dignidade de comunidades LGBTQIA+, abordando a importância de diretrizes clínicas baseadas em anatomia e o perigo do 'achismo' em detrimento do conhecimento científico. A conversa explora também temas como diversidade sexual, direitos reprodutivos e a desinformação na política. A discussão estende-se à saúde feminina, com foco na revolução da menopausa e na importância de um estilo de vida saudável. O episódio encerra com reflexões sobre cultura, o impacto transformador da leitura, os medos do envelhecimento e a beleza dos pequenos gestos de empatia no cotidiano.
Lisa Vicente (parte 1): “É possível haver prazer sensual e sexual sem penetração. E pode até não passar pelos genitais. E é normal não haver sempre orgasmo”
OuvidoO apresentador Bernardo Mendonça recebe a médica Lisa Vicente para uma conversa sobre saúde sexual, anatomia e a desconstrução de padrões estéticos. O episódio aborda como o conceito distorcido de 'normalidade' nos órgãos genitais impacta a autoestima feminina, influenciado por fatores como a pornografia e procedimentos estéticos sem base científica. A discussão explora ainda a complexidade do prazer, a importância da escuta clínica empática e temas sensíveis como a mutilação genital feminina. O episódio encerra com uma reflexão sobre o papel humanizado da médica no atendimento e as lutas pela comunidade LGBTQIA+.
Inês Marinho (parte 2): “Antes dizia que se há um fascista na mesa e te sentas, passam a ser dois fascistas. Mudei. É importante o diálogo”
OuvidoNesta conversa, Inês Marinho partilha a sua experiência como ativista, abordando os desafios do combate aos discursos de ódio e a importância da educação sobre diversidade. A discussão explora dinâmicas de género, a necessidade de independência financeira feminina e o papel do diálogo para desconstruir preconceitos e visões extremistas. A conversa percorre também temas como a política do corpo, as pressões sociais para provar competência e reflexões sobre saúde mental, burnout e a importância da empatia. O episódio encerra com uma análise sobre a necessidade de evolução social e o cultivo de uma maior compreensão mútua no mundo atual.
Inês Marinho (parte 1): “Quando fui alvo de violência sexual, com partilha de ‘nudes’, tinha superado um cancro. Estava mais forte e segura”
OuvidoNesta entrevista, Inês Marinho aborda a violência sexual digital e a partilha não consentida de imagens íntimas, discutindo a importância da educação sobre o consentimento e os desafios na denúncia de crimes digitais. A conversa explora como comportamentos de controlo e literacia digital são fundamentais para mitigar riscos nas redes sociais. A convidada partilha relatos pessoais de violação de privacidade e violência psicológica, refletindo sobre a disparidade de julgamento social entre géneros e o impacto emocional do bullying. O episódio conclui com uma reflexão sobre a necessidade de atualizar o ensino de cidadania nas escolas e o papel da educação pública na construção de uma sociedade mais segura.
Especial ao vivo na Feira do Livro com Luísa Costa Gomes e Rui Cardoso Martins (parte 2): “Escrever é para mim o antiabismo”
OuvidoNesta conversa com os escritores Luísa Costa Gomes e Rui Cardoso Martins, discutem-se temas como a identidade portuguesa, a ópera baseada em Camões e as preocupações com o ódio e a desinformação na sociedade atual. O episódio explora ainda visões proféticas da história do Alentejo, o desperdício de talento literário e a diferença entre um livro bem escrito e a boa literatura. A discussão aborda também o papel do editor, a imersão na voz do autor e o impacto da inteligência artificial na autoria e na pesquisa, encerrando com uma reflexão sobre a experiência humana e a importância da empatia.
Especial ao vivo na Feira do Livro com Luísa Costa Gomes e Rui Cardoso Martins (parte 1): “A imperfeição é a grande arma da Humanidade”
OuvidoNeste episódio, os escritores Luísa Costa Gomes e Rui Cardoso Martins discutem os desafios da escrita, a importância da forma literária e o impacto da tecnologia, como o ChatGPT, na criatividade humana. A conversa explora a relação entre realidade e ficção, abordando o papel do escritor perante as crises contemporâneas e a necessidade de encontrar utilidade na escrita mesmo em tempos de incerteza. A discussão avança para a evolução da obra literária e termina com uma crítica política sobre o corte de subsídios ao ensino do português no estrangeiro e o seu impacto na promoção da cultura lusófona.
Especial Dia Mundial da Criança (parte 2): Alice e Simão, de 15 anos, partilham ideias para o futuro e por onde andam os seus desejos e incertezas
OuvidoNesta conversa, Alice Durnholz e Simão Pinto Soares exploram visões de futuro, profissões e valores pessoais, abordando as incertezas da juventude e a importância das conexões humanas. O episódio inclui reflexões de Sérgio Antunes sobre a vulnerabilidade e transita por sugestões culturais de música, cinema e literatura. A discussão avança para temas como a importância da empatia, a necessidade de evitar rótulos sociais e a valorização da diversidade. O episódio encerra com uma reflexão sobre os pequenos prazeres do quotidiano, como o tempo a sós e o convívio intergeracional.
Especial Dia Mundial da Criança (parte 1): Alice e Simão, de 15 anos, conversam sobre o que os entusiasma e inquieta na escola, no país e no mundo
OuvidoNeste episódio, os jovens convidados Alice e Simão debatem temas cruciais como a importância da empatia, o combate ao extremismo político e os desafios da igualdade de género. A conversa explora o impacto das redes sociais na propagação de discursos de ódio, na dependência digital e na transformação das dinâmicas de relacionamento e da percepção da mulher na sociedade. O debate estende-se ainda à educação, abordando a eficácia dos métodos de ensino, o uso da inteligência artificial nos estudos e a necessidade de literacia digital. O episódio encerra com reflexões geracionais enriquecidas por mensagens de familiares, trazendo uma perspetiva sobre o passado, o presente e as incertezas do futuro.
Joana Gorjão Henriques (parte 2): “A revolução de género ainda não chegou aos lares. Apesar dos avanços, as mães continuam a grande força motora das famílias”
OuvidoNeste episódio, a jornalista Joana Gurjão Henriques reflete sobre a sua trajetória profissional, desde a influência da irmã Francisca até à experiência transformadora de estudar nos Estados Unidos, que moldou a sua consciência sobre o racismo estrutural em Portugal. A conversa explora também o impacto de projetos jornalísticos sobre migração e a importância de dar voz a comunidades sul-asiáticas. A discussão transita para temas pessoais e culturais, abordando a maternidade como uma revolução de vida, memórias afetivas ligadas à poesia de Herberto Helder e reflexões sobre o cenário político atual. O episódio encerra com recomendações de cinema, literatura e uma celebração dos pequenos prazeres da vida.
Joana Gorjão Henriques (parte 1): “O racismo não é uma questão de direita ou de esquerda. A democracia herdou esse racismo, ainda não o resolveu”
OuvidoNeste episódio, o apresentador Bernardo Mendonça recebe a jornalista Joana Gurjão Henriques para uma conversa profunda sobre o papel do jornalismo perante o racismo e o legado do colonialismo. A discussão explora as marcas da violência colonial, a assimilação cultural forçada e a persistência de estruturas racistas na sociedade portuguesa contemporânea. A conversa aborda ainda a inação política no combate ao racismo estrutural, a normalização do discurso de ódio no Parlamento e os dilemas éticos da profissão jornalística. Os interlocutores refletem sobre a responsabilidade da comunicação social na denúncia de injustiças sem cair no sensacionalismo, e sobre a importância de um jornalismo que não se pretende neutro perante a violação dos direitos humanos.
Maria do Carmo Fonseca (parte 2): “É preciso uma mudança radical no ensino. Que não seja só despejar conhecimento em cima dos jovens, mas que os estimule a terem pensamento crítico”
OuvidoNesta conversa, a cientista Maria do Carmo Fonseca discute os desafios do financiamento da ciência em Portugal, abordando a fuga de cérebros, a necessidade de investimento para reter talentos e o exemplo de sucesso do modelo chinês. Ela destaca a importância de criar ofertas competitivas em solo nacional para atrair investigadores e a integração entre ciência e mercado empresarial. A entrevistada partilha ainda reflexões sobre a natureza da ciência como um processo de constante revisão, o papel do pensamento crítico no ensino e memórias pessoais que abrangem desde a sua formação em medicina até questões de fé, música e o sentido da vida através de uma perspetiva biológica e naturalista.
Maria do Carmo Fonseca (parte 1): “É possível atrasar o envelhecimento. O desafio da Ciência é levar-nos aos 100 anos com boa cabeça e qualidade de vida”
OuvidoNeste episódio, a cientista Maria do Carmo Fonseca explora a natureza da investigação científica, defendendo que os cientistas constroem o futuro através de descobertas que impactam a saúde e a sociedade. A conversa aborda os dilemas éticos do progresso tecnológico, as assimetrias sociais e o papel crucial do ambiente e do estilo de vida na expressão genética e no envelhecimento. A discussão avança para os avanços da medicina personalizada, o potencial da inteligência artificial no diagnóstico precoce e a importância da preservação do SNS em Portugal. O episódio encerra com uma reflexão sobre a ciência como forma de resistência e o fascínio contínuo pela complexidade molecular e pela investigação científica.
Ana Deus (parte 2): “A vaidade isola-nos e é ridícula. Já me escondi atrás da vaidade, na pose da artista. Não sou vaidosa, não quero falar do meu umbigo”
OuvidoNeste episódio, a cantora Ana Deus detalha o seu processo criativo, abordando a transição para uma composição baseada na poesia e as suas reflexões sobre autoria, a persona artística e os desafios da era do streaming. A conversa explora também memórias musicais, influências artísticas e a leitura de poemas de Alberto Pimenta. O diálogo estende-se a sugestões culturais no Porto e reflexões sobre a importância da imprevisibilidade humana perante a inteligência artificial. O episódio encerra com partilhas sobre experiências pessoais, como o ensino de português na China, e uma mensagem final de gentileza e empatia.
Ana Deus (parte 1): “Já não quero saber da opinião dos outros. É normal, quando se cresce. E não amarguei. Correu quase tudo bem. A minha vida podia ter descambado muito”
OuvidoUma entrevista profunda com a cantora Ana Deus, que percorre a sua trajetória musical desde as origens em Santarém até ao sucesso com bandas como os BAN e Três Tristes Tigres. A conversa explora a sua história de vida, incluindo a influência familiar, a fuga de casa e a descoberta da música no Porto. A conversa aborda temas como a identidade musical, a importância da diversidade e o impacto de questões globais, como migrações e conflitos, na sua arte. Ana Deus partilha ainda reflexões sobre maturidade, saúde mental e o seu trabalho artístico com reclusos, utilizando a música como ferramenta de humanização.
Eduardo Madeira (parte 2): “Já trabalhei com pessoas absolutamente execráveis, mas como artistas são brilhantes. Prefiro trabalhar com pessoas boas”
OuvidoNeste episódio, Eduardo Madeira reflete sobre sua trajetória artística, abordando a importância de buscar o desconforto para evoluir e a distinção entre talento e caráter. A conversa explora temas profundos como espiritualidade, a força criadora e o impacto do amor e do afeto na resiliência emocional. O diálogo avança para reflexões sobre o impacto de escolhas e acasos na vida, a influência do mar e a importância de valorizar as pequenas coisas. Eduardo partilha também seus medos em relação ao futuro dos filhos e suas ambições de transitar da comédia para a escrita e a interpretação dramática.
Eduardo Madeira (parte 1): “No humor gosto mais de apontar a mira aos poderosos, aos sobranceiros, aos arrogantes, aos chicos-espertos, aos donos disto tudo”
OuvidoNeste episódio, o comediante Eduardo Madeira explora a filosofia do seu humor, focado na crítica ao poder e à arrogância, e detalha o processo de criação do seu novo espetáculo solo, 'Grande entre os Assassinos'. A conversa aborda a natureza do ego e da solidão no entretenimento, a importância da autocrítica e o papel da arte na sociedade. O convidado partilha reflexões profundas sobre superação de perdas familiares, a importância de não se calar perante a violência e o impacto do bullying. A conversa percorre ainda a sua trajetória académica, as origens na Guiné-Bissau e a evolução do papel das mulheres no panorama da comédia nacional.
Grada Kilomba (parte 2): “Interessa-me o chão comum. Na arte quero criar um senso de humanidade, revelando e desmantelando a violência”
OuvidoA segunda parte da conversa com a artista Grada Quilomba aborda o amor como um ato político e uma ferramenta de resistência contra a violência colonial e o racismo. A discussão explora como a mitologia, a improvisação e a arte podem servir para analisar a branquitude e a desconstrução de narrativas de violência. A artista discute a relação entre a sua obra e a desconstrução do conhecimento colonial, mencionando a sua transição da academia para as artes e a importância da democratização do acesso aos museus. Além disso, explora a sua exposição 'O Fundo do Mundo', tratando de temas como a memória histórica, a natureza como arquivo e o desejo de reconstruir cartografias culturais em Portugal.
Grada Kilomba (parte 1): “É fundamental ser radical. Pode ser extremamente libertador e belo. A criação é um ato de absoluta radicalidade”
OuvidoNeste episódio, a artista Grada Quilomba discute a função da arte como ferramenta para humanizar histórias silenciadas e criar novos vocabulários para lidar com traumas históricos. A conversa explora a importância de descolonizar o pensamento e confrontar a negação de Portugal em relação ao seu passado colonial, comparando-a ao processo de reconhecimento observado na Alemanha. A discussão aborda o papel da arte contemporânea na desconstrução de narrativas de género e raça, destacando a importância do saber teórico e da memória de corpos marginalizados. Quilomba partilha ainda reflexões sobre a sua obra 'O Barco' e a sua jornada pessoal de resgate da identidade e dos nomes ancestrais, combatendo os processos de apagamento da assimilação colonial.
António Garcia Pereira (parte 2): “Atuei sempre de acordo com a minha consciência. Quando faço a barba e olho-me ao espelho, não tenho vergonha do que vejo”
OuvidoNesta conversa, o advogado António Garcia Pereira partilha memórias marcantes da sua trajetória, desde casos de justiça e assédio moral até ao seu envolvimento em movimentos de solidariedade e revoltas estudantis. O episódio aborda momentos cruciais da história de Portugal, como as cheias de 67, o assassinato de Ribeiro Santos e a tensão do 25 de Abril. O convidado reflete ainda sobre o seu percurso político no MRPP, a carreira docente e a importância do pensamento crítico. A conversa percorre temas contemporâneos, como a ascensão da extrema-direita, a análise da Presidência da República e a indignação perante injustiças globais, encerrando com reflexões sobre resiliência e cultura.
António Garcia Pereira (parte 1): “Sou um otimista estratégico. Mas vêm aí tempos de luta muito dura pela defesa do pouco que resta da liberdade e democracia no país”
OuvidoNeste episódio, o advogado António Garcia Pereira analisa a proposta de reforma do Código de Trabalho em Portugal, alertando para os riscos de precarização, exploração laboral e o impacto negativo na democracia. O debate aborda a falta de fiscalização, o aumento do trabalho informal e as críticas à atuação do Ministério Público como um 'Estado dentro do Estado'. A discussão estende-se à crise de valores na esquerda política, ao impacto das redes sociais e da inteligência artificial na sociedade, e aos limites da liberdade de expressão perante o discurso de ódio. O episódio encerra com uma reflexão sobre a luta pelos direitos fundamentais e uma homenagem pessoal à trajetória do convidado.
Carla Maciel (parte 2): “O tempo escapa-me das mãos e ainda sonho muito. Quero fazer um filme de terror e uma tragédia grega. Sou chata e insisto. Vou conseguir, nem que seja aos 70”
OuvidoNesta conversa, a atriz Carla Maciel reflete sobre o envelhecimento, a maternidade e a sua entrega aos projetos artísticos, discutindo também a importância da formação académica tardia e o papel da arte como espaço de resistência num mundo marcado pela precariedade. A convidada explora a arte e a cultura como ferramentas de cura e resistência perante desafios sociais e de saúde mental, partilhando memórias pessoais e refletindo sobre a complexidade da experiência feminina. O episódio encerra com uma reflexão sobre os medos inerentes à saúde e à morte, enfatizando a importância de valorizar o presente e os pequenos prazeres da vida.
Carla Maciel (parte 1): “Acredito que tudo é definido pelo amor que colocamos nas coisas. O amor cura tudo. É o que nos define na vida”
OuvidoNesta entrevista, Bernardo Mendonça conversa com a atriz e encenadora Carla Maciel sobre a sua trajetória de resistência e superação na arte. A conversa aborda as dificuldades financeiras e sociais da carreira artística, o relato corajoso de Carla sobre o assédio que a levou a deixar uma companhia de teatro e o seu recomeço em Lisboa. A discussão expande-se para temas como a importância da observação no processo criativo, a influência da história política de Portugal na identidade familiar e a necessidade de maior investimento na cultura. Carla partilha ainda os seus novos projetos de encenação, inspirados na obra de Edgar Allan Poe, e a sua postura ética de valorizar o mérito profissional.
Pedro Marques Lopes (parte 2): “Não descarto a possibilidade de vir a ter um cargo político. Não sei se alguém vai ter a inconsciência total de me propor tal coisa”
OuvidoNesta conversa, Pedro Marques Lopes reflete sobre como a crise da Troika alterou as suas convicções políticas e aborda a radicalização da direita em Portugal. O convidado partilha a sua transição pessoal de uma carreira empresarial infeliz para a comunicação, motivada por um problema de saúde, e explora temas como o desejo não realizado de ser ator e a importância de ser um aliado em causas sociais. A conversa evolui para uma exploração de memórias pessoais, influências musicais — como o impacto dos Smiths e do fado — e recomendações culturais que abrangem literatura, séries e música portuguesa. O episódio encerra com reflexões sobre privilégio, a importância de valorizar os pequenos prazeres do quotidiano e o reconhecimento da sorte de ter tido uma vida benigna.
Pedro Marques Lopes (parte 1): “Estou motivado a não deixar crescer o terrível cancro que são os discursos discriminatórios na comunidade. Sinto essa responsabilidade”
OuvidoNeste episódio, o comentador político Pedro Marques Lopes discute a crise da verdade e o impacto da 'opiniãozinha' na sociedade contemporânea, abordando a desvalorização do conhecimento científico e a ascensão de discursos polarizados. A conversa explora como a meritocracia ilusória e a desinformação nas redes sociais alimentam o ressentimento social e o radicalismo entre os jovens. O debate avança para a análise do panorama político português, questionando o desaparecimento do centro-direita e o papel dos media na reprodução de um debate superficial e mercantilizado. Por fim, os interlocutores refletem sobre a gravidade da violência doméstica e a necessidade de priorizar a proteção das vítimas face às narrativas de medo e insegurança pública.
Teolinda Gersão (parte 2): “Ainda não aprendemos que não pode ser a força bruta, do dinheiro ou das armas a reger o mundo. Eticamente não avançámos nada”
OuvidoNesta conversa, a escritora Tio Linda Gersão relembra a sua trajetória editorial, o seu processo criativo e a escrita como forma de resistência e esperança. A autora partilha memórias sobre a sua rotina aos 86 anos e a sua admiração por figuras como Paula Rego. A discussão explora temas profundos como a espiritualidade, a psicanálise e o impacto da arte, abordando a dor do mundo e a beleza encontrada na simplicidade do quotidiano. O episódio reflete também sobre superação, a importância da bondade e a autonomia sobre a própria vida.
Teolinda Gersão (parte 1): “Sou uma escritora do inconsciente. Escrevo para resistir e para saber o que não sei. Escrever é uma porta para a esperança”
OuvidoNesta entrevista, Bernardo Mendonça conversa com a escritora Tio Linda Gersão sobre a escrita como forma de resistência e a importância da ética e da experiência de vida na construção da voz narrativa. A conversa explora temas como a crítica à competitividade da sociedade moderna, as desigualdades de género, a maternidade e a análise psicológica da obra sobre Marta Freud. A autora reflete ainda sobre a relação entre literatura e psicanálise, partilhando memórias de sua trajetória entre a Alemanha e Portugal. O diálogo aborda o estado da democracia, a crise de valores e preocupações contemporâneas, como o declínio do interesse pela leitura, o impacto das tecnologias na atenção e a necessidade de Portugal superar o seu complexo de inferioridade cultural.
David Fonseca (parte 2): “A minha imagem pública é taciturna, mas levo a vida com humor e parvoíce. É uma forma eficaz de me manter alerta”
OuvidoNesta conversa, David Fonseca explora a sua relação com a moda, a importância da liberdade de expressão e as suas raízes familiares, citando influências como David Bowie. O episódio percorre temas como a criatividade, o papel do humor na resiliência e a importância de valorizar os pequenos prazeres do quotidiano. A discussão evolui para reflexões sobre a percepção da realidade, o desapego ao sucesso comercial na música e a busca por novas sonoridades. O diálogo encerra com sugestões culturais e uma profunda reflexão sobre a 'Sociedade do Cansaço' e a necessidade de estar presente perante as inquietações do mundo.
David Fonseca (parte 1): “Nunca me fascinou ser famoso. Vejo nisso a parte pior da música. Gosto é de fazer canções novas e de tocar ao vivo”
OuvidoNeste episódio, o músico David Fonseca partilha reflexões profundas sobre a importância de viver o presente e os perigos da autodestruição tecnológica e do isolamento social. Através de uma conversa multifacetada, o artista explora o seu processo criativo, a busca pelo desconforto artístico e a recusa da nostalgia, abordando a relação entre a letra e a música e a sua necessidade de constante renovação. A conversa percorre ainda memórias da sua trajetória, desde o auge da fama com o Silence 4 até críticas à cultura de vassalagem ao estrangeiro na música portuguesa. David Fonseca encerra com reflexões sobre a resiliência perante o sofrimento e a importância de manter laços humanos num mundo cada vez mais fragmentado.
Ana Guiomar (parte 2): “Escolho sempre a alegria, mesmo num dia melancólico. Procurei a terapia, que me trouxe segurança e onde aprendo a dizer 'não'”
OuvidoNesta conversa profunda, a atriz Ana Guilmar explora os medos e inseguranças inerentes à sua profissão, abordando temas como a imprevisibilidade da carreira, a maternidade e o impacto da terapia no autoconhecimento e na atuação. O diálogo percorre reflexões sobre a identidade, a importância da integridade artística no teatro clássico e a desconstrução de papéis sociais. A conversa transita por tópicos pessoais e culturais, incluindo a relação com animais, o impacto das redes sociais e o poder das palavras através da poesia. O episódio encerra com sugestões de literatura e cinema, culminando em uma reflexão sobre o envelhecimento e a importância de apreciar as pequenas alegrias da vida e escolher a alegria.
Ana Guiomar (parte 1): “Somos todos ridículos e ainda bem. Gosto muito do meu lado de revisteira. Mas também tenho mau feitio”
OuvidoNesta conversa, a atriz Ana Guilmar partilha reflexões profundas sobre a sua trajetória, abordando a importância da terapia, a escolha pela alegria e a sua experiência no teatro e na televisão. A atriz relembra projetos marcantes como 'Morangos com Açúcar' e 'Festa é Festa', discutindo o rigor profissional e a evolução da sua perceção sobre a arte. A conversa explora também temas como a autenticidade, a gestão da imagem pública e os desafios da indústria audiovisual em Portugal. O episódio encerra com reflexões sobre privacidade, o impacto das redes sociais e a importância dos valores familiares e da comunidade.
Vera Iaconelli (parte 2): “Não sei disputar. Não me interessa a competição. Destaco-me no que faço, mas quero é pertencer. Evito quem atua na inveja. Então faço uma seleção radical, e até sofrida”
OuvidoNesta conversa, Bernardo Mendonça e Vera Iaconelli discutem o envelhecimento, a sexualidade aos 60 anos e a desconstrução de mitos de perfeição sob a perspectiva da psicanálise. O diálogo aborda a importância de ressignificar a palavra 'velha' e reflete sobre as transformações do corpo e da identidade. A conversa também explora temas como lealdade, redes de apoio femininas, a percepção do tempo e análises literárias de obras de Toni Morrison e Clarice Lispector. Os interlocutores encerram com reflexões profundas sobre a finitude humana, a importância da arte e preocupações sociais contemporâneas, como o feminicídio e o impacto das redes sociais.