00:11
Agora que temos o som em condições, pelo menos quem está no YouTube e que nos vai seguindo, e são já algumas pessoas, portanto, aqui há um ano, há cerca de um ano, Eu sou responsável por uma rubrica da SIC que costuma muitas vezes dar ao fim de semana, que é sobre os castelos de Portugal.
00:36
Tem sido um desafio muito interessante, que agora está no IATA, tendo em conta todas as notícias que têm acontecido nestes tempos, especialmente aqui na zona centro, aqui em Leiria.
00:49
E em Coimbra, com as cheias, com tempestades Christians, portanto, tem estado um bocadinho mais, mas já são quase 40 episódios. E sendo o professor Gouveia Monteiro, um dos maiores especialistas em história medieval, em história militar portuguesa, lembrei-me de o convidar... E estando nós em Coimbra, lembrei-me de o convidar para fazermos um episódio um bocadinho mais especial e pergunto, pedi-lhe se ele queria participar connosco num desses episódios para nos partilhar um bocadinho da sua experiência e da sua sabedoria connosco. Neste caso, com a audiência da SIC, por exemplo, houve uma coisa muito interessante que o professor falou que eu não fazia a mínima ideia, que era que as pessoas eram obrigadas a participar na construção e na manutenção do castelo para poderem os referir dele próprio, que eu não desconhecia completamente isso, e na sequência da conversa, E na facilidade de comunicação que o professor Gouveia Monteiro tem, deu mesmo vontade de olhar para o professor.
01:57
E sendo um dos meus podcasts favoritos, sendo o The Rest is History, que é um dos podcasts mais famosos do mundo e é de história, e um dos que eu sigo, e lembra, o professor Gouveia Monteiro era espetacular para fazer um podcast e assim...
02:13
Até logo na altura dizia, olha professora, se for uma coisa que lhe agrade, se quiser fazer um podcast, avancemos, deixa à sua consideração o que é que gostaria de fazer, mas gostava mesmo de fazer um podcast consigo. E a partir daí deixei esse reto ao professor e o professor a partir daí então, como é que foi essa resposta?
02:39
Sim, eu não sei se os ouvintes já me ouviram há bocadinho relativamente a este ponto Não estamos a repetir porque agora o som está em condições e há bocadinho não está Ok, tive que pensar porque nunca tinha experimentado trabalhar neste formato mas achei que devia tentar corresponder porque é uma forma também de alargar o público para o qual nós habitualmente falamos e proporcionar às pessoas também um acesso à informação sobre história, neste caso até não especificamente a história de Portugal apenas, para uma cronologia e uma geografia bastante alargadas, que podia ser interessante e acabei por aceitar o desafio do Ricardo e basicamente entre setembro e janeiro estive sempre a trabalhar neste... neste projeto tentando também oferecer aos ouvintes o melhor produto, digamos assim, possível contando para isso com a preciosa colaboração da Leonor que fez duas personagens que eram cruciais no nosso programa Por um lado a Rainha Filipe de Lencastre e por outro lado a Rainha Isabel de Aragão e também do Paulo Nazaré Santos, sem o qual dificilmente poderíamos ter feito o programa sobre Carlos Seixas e Beethoven. E portanto com o entusiasmo e a competência do Ricardo e a sua...
04:11
apesar de alguma experiência que eu não tinha nestas áreas e convivência com outros podcasts até não portugueses penso que fizemos aqueles 10 episódios cada um dos quais é dividido em duas partes com a dignidade suficiente creio eu para poder motivar também o interesse dos ouvintes e se refletiu-se bastante nos comentários que recebemos muitos deles até oriundos de fora de Portugal, nomeadamente do Brasil, se tivermos ouvintes brasileiros em linha também aqui os saúdo embora tínhamos concluído esta missão sempre com a sensação de que houve muita coisa que ficou por dizer e deixámos de lado muitos detalhes e muitas personagens Foi uma experiência e portanto, como todas as primeiras experiências, deixa sempre alguma coisa a desejar.
05:10
Professora, só para deixar, eu acho que está a ter-se...
05:15
acho que foi mesmo muito interessante pode ser sempre melhor obviamente até da minha parte nós próprios somos os levados nisto como eu tinha dito já tinha feito um podcast mas apesar de tudo aqui a minha ideia sempre foi ter um podcast que fosse mais o natural possível e aliás até fiquei surpreendido quando o professor me disse que tinha trabalhado nisto de uma forma obviamente profissional nunca esperaria ao contrário mas full time pois o full time é que me fez um bocadinho de curiosidade e demonstra o empenho que o professor Gouveia Monteiro deixou e só para lhe deixar a boa nova já estamos também em direto no facebook graças aos deuses que aparentemente parece que só nos falta conseguir ter o Paulo Nazaré Santos Também aqui connosco, neste caso, através de uma solução um bocadinho diferente, mas ele não está aqui a aceitar o convite no Zoom.
06:27
Mas calhar está entre os ouvintes, não é? Não sei, pode ser, ainda não o vi por aqui, mas pode ser uma ideia. Não sei se há perguntas dos ouvintes, Ricardo. Ainda não sei, mas vamos deixar. Portanto, partindo desta... Lançando também destes tempos connosco obviamente a Leonardo Cruz Pontes que é mulher do professor Gouveia Montano mas investigadora de modo próprio e que nos trouxe duas personagens, não estou errado foram duas não foi? Foram duas, sim. E a Filipe. E a Filipe.
07:01
Como é que encarou este desafio? O que é que lhe pareceu? Também foi uma estreia?
07:06
Também foi uma estreia e eu tenho menos à vontade em público do que o meu marido que está habituado a falar, a dar aulas e a fazer conferências, portanto acho que para mim foi mais desafiante.
07:17
mas acho que foi uma experiência bastante compensadora, acho que foi engraçado, acho que a ideia era mais contar a história, mas de uma maneira que interessasse as pessoas, sem entrar muitas vezes em pormenores um bocado técnicos. Eu, por exemplo, gosto muito de genealogias e relações familiares e acho que talvez tenha amassado um bocadinho ou confundido as pessoas, por exemplo, no episódio sobre a Isabel de Aragão, Mas, ao mesmo tempo, acho que as pessoas também gostam desse lado mais de revista Porto Rosa, da relação pessoal das pessoas, de compreender muitas vezes como a relação entre as personagens tem muitas ligações familiares e isso também explica até a política internacional, um bocadinho aquelas histórias mais humanas. Essa foi a minha perspectiva.
08:11
Sim, foi ótimo. Portanto, no caso da Filipa como no caso da Rainha Santa.
08:18
E o professor, portanto, nesta... Também para... Para as pessoas o conhecerem um bocadinho melhor, como é que surge o interesse do professor João Gouveia Monteiro pela história?
08:43
Eu na verdade no final do meu liceu estava numa turma de colegas que iam, na maioria dos casos, para a faculdade de Direito, mas aí aconteceu aquilo que provavelmente acontece já na história repetidas vezes e até se calhar com alguns dos nossos ouvintes, foi que um grande professor de História que tive no final do liceu acabou por me ganhar para a causa da História e mudei de planos e fui fazer o curso de História na Universidade de Coimbra entre 1976 e 1981. E foi assim que as coisas aconteceram.
09:30
E depois, quando terminei a licenciatura, concluí que tinha gostado praticamente de tudo aquilo que tinha estudado de todas as épocas. desde o período clássico até à época contemporânea.
09:47
Ainda estive um ano a lecionar na escola secundária da Nadia e depois disso abriu uma vaga à qual concorri na Faculdade de Letras de Coimbrafe e fui selecionado e depois foi-me dito que deveria trabalhar na história medieval, o que fiz com todo o gosto, porque não tinha, digamos, uma preferência definida por nenhuma das áreas e a Idade Média também me atraía e tive depois a sorte de trabalhar durante muitos anos sob a orientação de um professor com a dimensão científica e até humana do professor José Matoso, e também de ter em Coimbra um companheiro de trabalho e colega de gabinete, como o professor António Rezende Oliveira, que foi um grande estímulo e um guia muito seguro para a minha boa inserção na... na equipa do Instituto de História e Teoria das Ideias, que aliás era uma equipa com muitos colegas muito queridos, para quem eu me sinto ainda hoje muito ligado.
11:03
Professor, estávamos aqui com um pequenino problema técnico, não sei exatamente. Há um ruído aqui que está a entrar, alguns...
11:14
Mas tem que me perdoar, que eu não sou uma coisa, mas está-se a ouvir bem.
11:19
Sim, não faz mal, Ricardo. Isto é tudo um bocadinho experimental. Hoje também é mais uma sessão de celebração do que ficou feito.
11:31
Professor, então aí... Estava a contar essa forma como isto se ligou à história, mas quando isto foi desviado, mas teve que haver ali qualquer coisa que captasse a atenção de uma forma mesmo... decisivo ou não? Por exemplo, lembro-me do professor durante o podcast falar, por exemplo, do Fernão Lopes, que foi algo que fascinou.
11:57
Sim, na verdade foi o meu primeiro grande interesse, a minha primeira grande paixão do ponto de vista profissional, a leitura integral e exaustiva das crónicas do Fernão Lopes dissipou qualquer dúvida que eu ainda pudesse ter relativamente à... à minha harmoniosa inserção na área de História Medieval e, na verdade, o primeiro trabalho que fiz, o primeiro livro que publiquei foi sobre Fernando Lopes e na altura não havia ainda mestrados. As provas de aptidão científica e capacidade pedagógica que eu fiz foram sobre a literatura da Viz e sobre o próprio Fernando Lopes. E, a partir daí, da leitura das crónicas, em particular da crónica de D. João I, mas também da crónica de D. Fernando, até à ideia de trabalhar sobre a guerra em Portugal nos finais da Idade Média, Foi um pulinho, não é? Uma distância que percorri rapidamente. Não havia ainda estudos científicos de fundo, completos, digamos, panorâmicos sobre a história militar medieval portuguesa, embora já houvesse contributos pontuais até de alguns militares que se interessavam pelas coisas da história e que eram bastante competentes, como...
13:26
Gastão de Mel de Matos Augusto Botelho da Costa Veiga etc e abalancei-me com o estímulo do meu orientador a tentar fazer uma tese de doutoramento que pudesse funcionar um pouco como uma moldura para que depois outros investigadores a seguir a mim pudessem fazer trabalhos um bocadinho mais monográficos e neste momento o que nós temos é um conjunto de trabalhos de investigação que arranca em Dom Afonso Henriques e que para só em Dom Manuel I, portanto que vem desde os inícios do século XII e que vai até aos inícios do século XVI, em que quatro dissertações de doutoramento, do Carlos Filipe Afonso, de Miguel Gomes Martins, que foi o meu querido primeiro professor, orientando mestrado e doutoramento, e de António Martins Costa, o mais decente, cobrem a história militar portuguesa ao longo de todo este período, um período de cerca de 400 anos, com uma certa coerência, uma certa unidade, que permite agora que outros se ocupem ou de regiões, ou de sob temas e digamos que possamos dizer, tornou possível que possamos dizer que a história militar medieval portuguesa está hoje ao nível daquilo que se faz em muitos outros países europeus.
14:58
Só de relembrar aqui aos nossos ouvintes que podem lançar algumas perguntas que nós estaremos, eu e o professor e obviamente a Leonor, estaremos disponíveis para responder algumas dúvidas que tenham, algum interesse que tenham acerca desse trabalho. Leonor, pergunto também o mesmo, como é que surge esta ligação à história e até a estas mulheres especificamente?
15:25
A minha ligação à história, desde que eu me conheço, que sempre disse que queria ir para a arqueologia, portanto, formei uma arqueologia. Gosto particularmente de história medieval.
15:37
A minha parceria aqui com o meu marido proporcionou-me também esse contacto.
15:45
mais forte com a história medieval e no caso destas duas rainhas, eram duas pessoas sobre as quais eu já tinha trabalhado e investigado, das quais gosto particularmente também porque as... as conhecia melhor não por ser propriamente uma adepta da história das mulheres só por serem mulheres mas acho que a Filipe Adolincastra é uma personagem que me interessou bastante e a Rainha Santa ainda mais até por uma questão de evolução e do ambiente de Coimbra além de ser padroeira é uma pessoa ainda hoje muito venerada e portanto foi com naturalidade que elas formaram um par com as duas outras personagens, a Filipa com a Leonor Teles, porque são duas figuras bastante contrastantes em termos de feitio e de papel na história, e a Rainha Santa como par do Dom Dinis, num ano em que se fala bastante do Dom Dinis, não é? Por ser o centenário da sua morte, achei que a Rainha Santa faria um par...
17:00
como na vida, aqui te fazia todo o sentido.
17:03
Sim, 2025 foram os 700 anos da morte do rei D. Dinis.
17:11
Deixo-me aqui o Ativistas Teus do Brasil. Tenho sido aqui um dos mais ativos nos últimos momentos. Se quiser deixar uma pergunta... Ele dá-nos os parabéns pelo podcast ligado à cultura e à literatura portuguesa. Se quiser deixar uma pergunta aqui para o professor ou para nós, mas também a Tânia Costa, que nos deixa aqui alguns elogios, obviamente, o acesso sobretudo do professor Gouveia Montalheira. principal motor deste desafio, deste Vidas em Paralelo, mas deixo-me também avançando aqui para as outras geografias, professor.
18:02
Por exemplo, eu recordo-me, uma coisa muito interessante que falou, de várias universidades que esteve no exterior.
18:09
Em Montpellier, também houve várias, também na Alemanha.
18:17
Fala-nos um bocadinho desses tempos e o que é que também investigamos lá?
18:22
Sim, na verdade tive a sorte e a possibilidade de viver e trabalhar em outros países e isso foi uma coisa que influenciou bastante a minha carreira. A primeira experiência que tive no estrangeiro foi até como leitor de português, basicamente língua portuguesa, alguma coisa de cultura, mas essencialmente língua portuguesa em Berlim. em 1979-1980, e depois, já enquanto professor da Universidade de Coimbra, estive um ano a dar aulas em Montpelier, na Universidade de Porto Valéry, e mais tarde fiz semestres sabáticos, quer em Ravenna, na Universidade de Bolonha, Polo de Ravenna, em Itália, quer na Universidade de La Laguna, em Tenerife. E foram experiências muito importantes para mim do ponto de vista científico.
19:20
Basta dizer que a minha ligação aos temas relacionados com o contacto entre o mundo latino e o mundo islâmico O despertar da minha atenção para a importância que as cruzadas na Terra Santa têm na história europeia tem muito que ver com a minha estadia em França.
19:45
Por outro lado, em Itália beneficiei essencialmente da companhia do professor Salvatore Cosentino, tal como tinha acontecido em França com o professor Gerard Idean, mas em Itália, em Ravenna, para trabalhar mais a fundo sobre o Império Bizantino, que era algo que me fascinava e que eu acho que é muito pouco conhecido em Portugal, daí que nós também tínhamos incluído no nosso podcast, creio que era o podcast número 7, um episódio sobre Carlos Magno e Justiniano, E depois, mais recentemente, em 2018, quando estive num semestre sabático em Tenerife, aí já era uma incursão mais cirúrgica dirigida à compreensão da história das religiões e deve muito ao professor Francisco Dias de Velasco, líder de um grupo grande de investigação de história das religiões muito reputado em Espanha, a possibilidade de poder, olhem, desde logo ter acesso às grandes fontes necessárias para se estudar o hinduísmo para se estudar o budismo para se estudar o confucionismo foi lá que eu pude a ler os Vedas, os sermões médios do Buda, etc., numa altura em que estava exatamente a começar a lecionar a história de religiões em Coimbra.
21:05
Portanto, este bocadinho de mundo, tenho consciência que é apenas um bocadinho de mundo, para mim foi importante e tive também a sorte de Eleonoro me poder acompanhar, Na Alemanha não, que ainda nem nos conhecíamos, mas nas outras três aventuras e isso também foi muito agradável do ponto de vista pessoal e muito também estimulante do ponto de vista intelectual.
21:31
Enriquece muito o investigador, imagino.
21:34
Posso contar uma história?
21:37
Eu acho que como todos os portugueses que estudam a história na escola, nós vemos os muçulmanos estudando a reconquista como alguém que a gente vai varrendo por ali abaixo até chegar ao Algarve e eles caírem no mar. E acho que a experiência em França foi bastante impressionante no sentido em que se está dentro de uma aula e que se está a falar da reconquista e se pode ter sentados nas cadeiras os alunos franceses e os alunos também muçulmanos e nós aí temos mais a perceção que os muçulmanos não são aqueles longínquos da reconquista que nós fomos conquistando o país mas que estão ali à nossa frente e que existem E também o que a mim me impressionou mais do ponto de vista histórico foi ter muita noção de que realmente o mar Mediterrâneo é o mar é nostro dos romanos e que, pronto, é como se estivéssemos à volta de um lago e há muitas pessoas que vêm do outro lado, não é? Nós estamos em Portugal, aqui no cantinho da Europa, e não temos tanto essa noção. Acho que foi uma experiência...
22:48
difícil, com muitos desafios estar um ano fora mas também foi muito interessante nessa perspectiva até histórica
22:58
já temos aqui algumas perguntas de várias pessoas e passo por acaso passo um bocadinho pela mesma ideia o Marcos Pinguinha pergunta qual é o próximo desafio para vocês para o professor, para vocês o Alberto Mesquita também depois desta série extraordinária fica a pergunta inevitável a esperança de uma segunda temporada seria uma excelente notícia para quem acompanhou estas conversas com tanto interesse Aqui o Ativistas Ateus do Brasil é o Marcos Cavalcampi. Portanto, também a Tânia Costa pergunta quanto à continuidade, com os mesmos locutores, haverá alterações de formato, todos muitos bons locutores, muito parabéns.
23:45
Professora, uma pergunta também para a Leonora. A senhora acha que a produção cinematográfica voltada para a Idade Média está cada vez mais escassa, de fato não ajudando a divulgação desse tema de forma geral?
23:57
E a Tânia também diz que gostaria de perceber um bocadinho mais o percurso da doutora Leonora Pontes, quais os projetos mais antiasmeiros do ponto de vista arqueológico e histórico em que esteve envolvida?
24:11
Eu formei uma história na variante de arqueologia e isso permitiu-me fazer escavações em várias épocas, desde a pré-história à Idade Média. Participei numa escavação particularmente interessante para mim, que foi o Castelo Velho de Alcoutinho, com a professora Helena Catarino. E gosto particularmente de Idade Média, aliás eu gosto de... de história, mas para mim têm que ser coisas com mais de 500 anos. Também gosto bastante de trabalho de arquivo, também trabalhei no arquivo da universidade, gosto dessa parte da investigação e da descoberta, de ler documentos, descobrir coisas que acho que têm muita ligação também à arqueologia.
24:52
E pronto, o meu percurso é um pouco esse. Fiz um mestrado em Museologia e Património Cultural em que estudei a Sé Velha de Coimbra, na perspectiva da história, mas também da recuperação num percurso museológico.
25:12
A professora Irene Vaquinhas.
25:17
E, portanto, os meus interesses são assim pela arqueologia, pelo património, pela museologia, também um pouco pela divulgação da história, não só para crianças, mas também para adultos. Acho que é a coisa que me interessa talvez mais e acho que este podcast cumpre bastante essa função, não é? de transmitir a história a um público mais alargado, um público de não especialistas, mas um público que tem outros interesses e outros conhecimentos, mas para quem a história também não tem que ser nem enfadonha, nem um bicho de sete cabeças, mas ao mesmo tempo que consiga congregar os interesses das pessoas e até os saberes específicos de outras áreas científicas.
26:13
Professora, só deixar aqui no Facebook o Toninho Costa insistiu em que lhe lesse esta mensagem e ele diz que quero enviar um grande abraço de reconhecimento ao meu caro mestre e amigo professor João Gouveia Monteiro com esta participação correspondeu a um pedido que lhe fiz nas minhas provas doutorais levar a ciência à sociedade durante a sua apresentação à doutora Lima Cruz Pontes, uma autêntica madrinha do meu doutoramento que sempre recebeu também. Parabenizo pela excelente participação. Apenas deixar esta mensagem do Toninho que estava aqui. Eu pedi-lhe uma pergunta e ele optou mais por esta declaração.
26:53
Muito obrigada.
26:53
Obrigado, Toninho. Toninho foi um grande orientante de doutoramento também. Foi ele que fechou o círculo das quatro teses de doutoramento que eu há bocadinho citei. com um trabalho ótimo, está a fazer, sei, talvez meio ano.
27:12
Meio ano, sim, fez umas provas brilhantes, muitíssimo boas.
27:16
Nada fácil de execução e até porque tinha um cenário, uma vez que ele ficou com a parte, na segunda metade do século XV e início do século XVI, teve que alargar o cenário para a África e para a Índia, e teve a particularidade de fazer a sua investigação tradicional, escorada por visitas presenciais a todos os locais relevantes, para onde passaram os exércitos portugueses na época sobre a qual ele se debruçou, além de que ele tem uma atividade muito meritória no âmbito da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos também.
28:02
Talvez haja uma história por trás deste comentário. Nuno Bentes deixa a humildade de um grande homem que acedeu ao convinte e um estranho para falar sobre a Lisbarrota e de comboio veio preencher uma plateia. Não sei se é algo assim ele está a referir a alguma situação particular.
28:19
Nuno Bentes é um querido amigo também que é um apaixonado pela história militar medieval e em particular... pela figura do Novas Praia por Alge Barrota e que também me desafiou para a apresentação de uma obra numa grande superfície em Cascais a que eu acedi com muito gosto e temos mantido sempre um contacto muito fraterno desde então e vi-lhe também daqui um abraço grande e obrigado pela companhia amiga
28:56
Eu não sei se a Leonora queria terminar daquelas perguntas que lhe fiz há bocadinho, se calhar saltámos algumas à parte dos comentários, mas também é bom ouvir quem nos está a seguir.
29:08
Então, acho que já respondi.
29:11
Então, deixe-me perguntar ao professor agora. Então, cá, este pormenor, o professor é um dos maiores especialistas portugueses na escola medieval militar, medieval, e depois tem esta faceta da religião como é que surge a religião e porquê qual o interesse que desperta e nós fizemos ouvidas em paralelo e devemos chegar lá mais um bocadinho à frente sobre Jesus e Moomé mas também a pressão na área da história das religiões como é que surge este interesse
29:46
Bem, eu nos últimos anos que lecionei, agora já estou aposentado, mas nos últimos anos que lecionei dava a história militar no primeiro semestre e a história das religiões no segundo semestre e grande parte dos alunos repetia-se e eu costumava dizer-lhes que no primeiro semestre ramávamos o sangue todo e no segundo semestre expiávamos os pecados desse derramamento.
30:09
Eu não sei bem como é que isto entrou, mas quem trabalha durante quase 30 anos na história medieval tem um contacto com os temas de história religiosa que é um contacto absolutamente natural, não é? A presença do Islam na Península Ibérica até finais do século XV, a força do Cristianismo, com um elemento estruturante da sociedade medieval e, portanto, digamos que eram temas esses, pelo menos relacionados com a presença das religiões ditas abriâmicas, chamadas religiões do livro, na Municípula Ibérica, que era judaísmo, cristianismo e islão, era uma companhia natural, digamos assim, para compreender a sociedade, a cultura, a história das mentalidades, etc.
31:05
A determinada altura houve uma reforma curricular na Faculdade de Letras que reintroduziu, ou melhor dizendo, reintroduziu a história das religiões na nossa oferta formativa, e a adesão dos alunos foi de tal maneira que o departamento ficou a braços com o problema de gestão de tantas inscrições para um número tão limitado de docentes que estava disponível para as assegurar e eu aí voluntariei-me para dar uma colaboração Nessa área e penso que em boa hora o fiz porque foi uma coisa independentemente do bem que isso possa ter feito aos homens que passaram por mim e ninguém agrada a todos, nem Jesus agradou a todos.
31:57
A verdade é que para mim foi extremamente enriquecedor porque... A história das religiões, que hoje continua a ser lecionada e bem pelo professor Luís Miguel Repas na Faculdade de Letras de Coimbra, não é uma disciplina confeccional, é mais uma história comparada das religiões e permite alargar muito os horizontes dos nossos alunos, levando-nos até a geografias insuspeitadas e que os põem em contato com culturas como a China, na China, na Índia, na Penínsia Arábica, com as quais eles dificilmente poderiam contactar.
32:33
A Leonel não teve essa faceta do ensino, penso eu, mas chegou... Não, não, não. Mas também na área, também há algum tema, por exemplo, o professor mais na religião, mais na parte medieval, há algum tema que eu tenha cativado sobre a maneira...
33:01
escrevi um capítulo de um livro de história das religiões sobre as religiões da Mesopotâmia, por ser um tema mais do meu agrado, foi a minha participação.
33:13
Sim, um ótimo capítulo de síntese, de tal maneira que o professor Luís Miguel Repas, que eu há poucos dias mandou um convite para ela repetir uma aula que eu ouviu fazer sobre a religião suméria em particular.
33:31
O que ocorre na forma.
33:32
Exatamente, exatamente. O início da escrita, o início da história. Gilgamesh.
33:40
A epopeia do Gilgamesh. Dilúvio.
33:44
Exatamente.
33:44
O Enki também, não é?
33:46
O Enki faz parte, é uma das personagens da história do Gilgamesh.
33:51
Deixe-me perguntar-lhe, professor, há um bocadinho, e esta parte do ensino, o que torna-se investigador, Dava-lhe algum prazer especial trabalhar com, e até com os doutorantes, com essas pessoas? Ensinar é um prazer diferente do investigar?
34:12
Sim, são coisas diferentes, embora eu acho que um bom professor deve, sobretudo, saber daquilo que está a falar. Não há nenhum manual de técnica, de didática de ensino, que possa suprir a ausência do conhecimento sobre aquilo que se ensina. Esse é o primeiro mandamento de saber daquilo que se está a falar. E, portanto, o ideal é a investigação estar associada ao ensino, embora o ensino não seja necessariamente, pelo menos ao nível da formação geral, do primeiro ciclo, o ponto de chegada da investigação.
34:52
Eu fiz sempre questão de até ao fim dar alas a alunos do primeiro ciclo, mesmo quando os tempos de concentração começaram a ficar um bocadinho mais curtos e começou a haver alguma turbulência nas... nas aulas sobretudo quando havia grandes aglomerações de alunos por exemplo na história militar e sobretudo na história das religiões como há bocadinho indiquei tive sempre muito prazer em dar aulas eu acho que os professores a profissão de professor é uma das profissões mais importantes do mundo E o nosso país precisa que os nossos professores sejam dignificados e esses professores precisam de estar cientificamente bem informados, até porque os resultados da investigação que nós fazemos nas universidades demoram demasiado tempo a repercutir sobre os manuais escolares e há manifestos desajustamentos entre aquilo que... Nos nossos colóquios e congressos de historiadores já há muito tempo se diz e se escreve e se ouve sobre numerosos temas e aquilo que os nossos meninos continuam a aprender nas escolas.
36:06
O que é que falta aí mudar é uma direção científica melhor por parte que para os programas?
36:13
Sim, eu penso que tem que se revalorizar o manual escolar e tem que se, digamos, aperfeiçoar os mecanismos de aferição científica dos manuais escolares. Penso que aliás que é um... É um processo que está a acontecer em Portugal ao longo dos últimos anos e também penso que é muito importante, porque os manuais também não podem dizer tudo, permitir aos professores do ensino básico e secundário que se atualizem cientificamente, estimulá-los para que isso possa acontecer, libertá-los das obrigações de natureza burocrática e administrativa que fazem com que eles se preocupem quase exclusivamente a dar resposta a esse género de solicitações ou a gerir a componente didática do ensino, não tendo possibilidade, tanto quanto querem e quanto merecem, de se atualizar cientificamente.
37:12
E na parte da investigação, houve, quais foram aqueles momentos mais incríveis sei lá, algum documento que mexesse, alguma descoberta que pensasse ninguém sabia isto e houve assim momentos desses.
37:29
Sim, houve momentos vários, Alina estará a pensar no mesmo que eu, que é quando nos anos em que trabalhámos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, por causa da minha dissertação de doutoramento, nos passou no meio de uma coleção de documentação avulsa, um documento ela vai completar.
37:52
Eu acho que estamos a pensar o mesmo, é ter nas mãos um documento assinado pelo próprio Fernão Lopes.
37:58
escrito e assinado pelo Fernando Lopes acho que é assim uma emoção eu gosto particularmente de assinaturas acho giríssimo ver as assinaturas das pessoas de personagens históricas e ver a letra e etc é uma coisa que hoje já não aconteceria se vê tudo no microfilme tudo ou grande parte da documentação já acede assim depois também quando trabalhámos no campo de batalha de São Jorge formulámos uma hipótese que precisávamos de testar através de uma combinação de trabalhos geofísicos, arqueológicos e até paleobiológicos, com uma equipa incrivelmente competente e amiga da Universidade de Coimbra, com o engenheiro Fernando Pedro Ortega Figueiredo, a engenheira Lídia Catarino, A professora Helena Catarino, arqueóloga, a professora Eugénia Cunha, da área da antropologia, antropologia forense, e quando já não tínhamos grandes esperanças nem grandes expectativas, conseguimos encontrar, graças precisamente… à intervenção arqueológica liderada pela professora Irina Catarino, vestígios de novas covas de lobo e de novos fossos numa zona do campo de batalha que não tinha sido até então escavada, que vinha ao encontro da hipótese que tínhamos colocada inicialmente e que permitiu também redimensionar um pouco o nosso conhecimento sobre os movimentos estáticos numa batalha que aconteceu à distância que aconteceu, não é?
39:39
Em 1385. Isso foi um grande momento para nós necessariamente também.
39:47
Depois, mais recentemente, quando fiz uma monografia, eu só escrevi uma biografia, não é? Eu fiz este podcast sobre personagens, mas na verdade entre os meus livros só há uma biografia que é a biografia de Dona Nova Espreira, e intrigava-me muito a componente religiosa dele, que presideu aquela opção de se retirar para o convento do Carmo nos últimos cerca de nove anos da sua vida, o que é que verdadeiramente o tinha influenciado do ponto de vista religioso nas suas escolhas, e depois num documento que Eleonora até conseguiu obter de Évora, não é?
40:30
para constituir isso um pouco melhor, um documento que nos sinalizou uma coisa que para nós foi decisiva e que permitiu perceber que a minha principal via de influência sobre o universo religioso de Dona Nova Espreira, veio da experiência extremamente singela e muito humana, das pequenas comunidades de ermitas da Serra da Ossa, que é uma serra ali perdida entre o Estremós e o Redondo, ermitas que andavam ali em grupos de quatro, não mais do que isso, fabricando colheres, mel, e que marcaram profundamente a consciência religiosa do Dono Nova Espreira. E por meio de muitas aventuras, como, por exemplo, ter que aprender a montar a cavalo para poder perceber determinadas coisas do equipamento e da mobilidade dos cavaleiros medievais para perceber...
41:36
É a arqueologia. É a arqueologia fundamental.
41:40
Também fizemos. Sim. Portanto, tudo isso fez parte e é no fundo isso que dá alegria também e vida aos nossos percursos, cada qual na sua profissão.
41:52
Não sei se a Luísa quer acrescentar alguma ideia.
41:58
Sim, de repente. Acho que só são muitas aventuras.
42:03
são muitas viagens estou um bocadinho com a garganta irritada mas há aqui mais algumas perguntas há aqui a Tânia Costa que pergunta quanto ao formato de ensino os senhores acreditam que as grandes mudanças sentidas na faculdade de Imbra mais precisamente comprometem ou atrasam a qualidade dos investigadores atuais não sei exatamente o formato de ensino as grandes mudanças dos últimos anos
42:33
Não sou talvez o melhor avaliador, por um lado por já estar fora e por outro lado por me ter mantido muito fiel, como há bocadinho disse, à minha intenção de me manter sempre próximo do primeiro ciclo, não é?
43:03
Assim, em termos macro, eu diria que a redução das licenciadoras de 4 para 3 anos, por imposição da chamada reforma de Bolonha, não beneficiou à partida a qualidade da formação científica. Também teve muitas coisas boas, nomeadamente a comparabilidade...
43:24
dos sistemas de ensino superior a nível europeu que permitiu uma grande circulação de estudantes a nível europeu.
43:36
Isso foi muito importante, não é? Mas a concentração da formação inicial em três anos para uma pessoa como eu que se inscreveu em 1976 num curso que tinha cinco anos e que depois saiu de uma universidade em que a licenciatura era só de três anos, que era o nosso antigo bacharelato, é um bocadinho impressionante, não é? Portanto, temos a sensação de que não se respeita a velha máxima de Confúcio e demêncio de que o ensino é como o trabalho do artesão do marfim, que é como coisa cortada, como coisa polida, como coisa cinzelada, não há tempo suficiente para digerir as matérias. Qualquer maneira, a verdade é que a Faculdade de Três de Colimbra tem feito um esforço grande no sentido de aproximar os estudantes do primeiro ciclo da... da investigação, ainda hoje recebi um anúncio das jornadas científicas que dão voz também a esses investigadores e eu espero que a qualidade da sua investigação, e penso que temos apesar de tudo bastantes provas disso, não se ressinta no futuro deste novo enquadramento, deste novo modelo em que se processa a transmissão de conhecimentos na formação inicial, veremos. É preciso manter a exigência, não é?
45:03
Mencio também dizia que o carpinteiro não empena o fio de prumo para salvar o...
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o operário desastrado, é preciso manter a exigência, não é? E nesse sentido devo dizer que uma coisa que me impressionou negativamente nos últimos anos, mas não é especificamente em Coimbra, é na generalidade das universidades portuguesas, é uma inflação, uma grande inflação das classificações.
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Só também, não sei se o professor está a par aqui, o nosso ouvinte brasileiro que está connosco,
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pergunta o que é que acha dos historiadores da tese que o Brasil foi achado pelo Rio Grande do Norte e não pela Bahia essa discussão chegou aí eu não faço ideia não sei se o professor está a par desta não sou competente para responder peço desculpa ao nosso ouvinte e companheiro brasileiro mas não sou competente para responder a essa pergunta que já sai um bocadinho da minha zona de conforto em termos de estudo e de e de conhecimento, mas prometo pensar no tema, sim.
46:14
Esta ligação Portugal-Brasil é sempre muito importante, são dois países umbilicalmente ligados, obviamente, mas, senhora, avança a Deus, não só, já fizemos aqui um bocadinho este roteiro pela... pela história e pelo contexto profissional, tanto da Leonor como do professor. Deixe-me perguntar isto. E já aflorámos aqui como é que começou o Vidas em Paralelo. Foi um desafio meu que o professor decidiu também abraçar. Eu, sinceramente, a minha ideia... era um bocadinho mais ter uma conversa a não ser ser mais uma narrativa do que propriamente uma elaboração sistemática sobre os fatos ou até mais ter algo mais Como é que é de explicar, mais técnico, a ideia não era essa, ser algo mais acessível ao público e foi esse o meu desafio. Como é que surgiu esta ideia de pôr dois a dois? Ou seja, esta mesma ideia da vida em paralelo.
47:18
Pareceu-me que replicar um modelo de Plutarco e ter duas personagens em simultâneo no mesmo episódio poderia ser interessante. Em alguns casos a cumplicidade é muito natural, como por exemplo Dom Diniz e a Rainha Santa, não é? Ou a proximidade é muito sugestiva, como a Leonor Teles e a Filipa de Lencastre, Noutros casos estão muito distanciados no tempo, 300 anos aproximadamente, como no caso de Alexandre e Júlio César, mas o seu percurso de vida, o seu destaque e o lugar que ocupam na história... da cultura grega Alexandre e da cultura romana Júlio César possibilitariam fazer comparações muito interessantes. Nunca nos afastámos desse padrão, Jesus e Maomé, por exemplo, também estão separados por 600 anos, mas no fundo Maomé assumiu-se como o homem que veio completar a mensagem que Jesus tinha transmitido seis séculos antes dele, não é? Portanto, Buda e Confúcio vivem precisamente no mesmo tempo, não se conheceram, um está na Índia e o outro está na China, mas são os fundadores de duas das maiores religiões mundiais, dois dos imaginários religiosos que influenciaram mais a história da humanidade. Portanto, parecemos que...
48:53
O ideal seria proporcionar aos nossos leitores, aos nossos ouvintes, neste caso, abordagens centradas em histórias de vida, porque as pessoas gostam de biografias e as biografias humanizam a história. Eu dou uma análise porque a história é a biografia do homem e, para não ser tão maçadora, poder...
49:12
escolher dois em cada programa para se poderem picar um bocadinho um ao outro, como Fran Lopes picava em Ayal, Per Lopes da Ayal e o desmentia, ou como Cristina de Pizano já fechada no seu mosteiro, não deixava de conhecer Joana d'Arc e de a apresentar como modelo, não é? Ou como o Carlos Seixas, para falar no último episódio, no fundo foi um daqueles que também desbravou o caminho na transição do barroco tardio para a música clássica que depois Beethoven, entre outros, não é? Mas no nosso episódio Beethoven iria preencher pareceu-nos que poderia ser estimulante proceder assim e eu penso que nesse aspecto a generalidade de reações dos nossos ouvintes foram boas aliás isso traduziu-se em temos cerca temos
50:16
devemos estar mesmo em cima dos mil subscritores no YouTube, quase 700 no Spotify, outros tantos no Instagram e no Facebook, que é mais uma questão não tanto de nos ouvir, mas acho que, sobretudo o professor Teo, ao lançar esse desafio, acho que teve algum eco e até... No próprio Spotify havia algumas distinções muito interessantes.
50:46
E como é que decidiu sobre quem conversar, sobre quem falar?
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Pois foi difícil. Aí confesso que a minha primeira preocupação foi, como eu dizia há bocadinho, falar daquilo que sabia. Portanto, a minha primeira escolha foi... Se me cá recordar os nossos personagens, a minha primeira escolha foi os meus heróis, basicamente, não é? Os meus heróis.
51:13
Seja os da história militar Seja os da história das religiões Seja depois O caso do Beethoven e do Carlos Seixas Foi um caso um bocadinho excepcional Há uma componente Mas tem essa paixão pela música Tem, tem Há uma componente Coimbrain que é visível A Rainha Santa, por exemplo É um bom exemplo disso Carlos Seixas também, já agora Mas houve a preocupação de haver o tal contraste na geografia, na cronologia e também, atenção, na profissão, porque nós tivemos reis e rainhas, mas tivemos grandes generais, tivemos dois grandes músicos e também tivemos mulheres da cultura como Cristina de Pidano, não é? Portanto, houve aqui a intenção de De variar, não fazer apenas sobre reis, ou não fazer apenas sobre escritores, não é? Mas ter um bocadinho de cada coisa nestas 20 personagens que elegemos.
52:20
E com grandes mulheres, Sondalino Orte também fez essa... As mulheres, em termos históricos, é mais difícil encontrar. Muito mais.
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Encontrar realidades e factos sobre elas, não é?
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Sim, são à partida mais escondidas, digamos assim. Mas já há muitas mulheres conhecidas e muitas mulheres mutáveis. Eu, por exemplo, acho que a Cristina de Pisano também é uma personagem que ninguém estava à espera, não é? Pode ser aí uma bandeira das feministas, porque realmente era uma pessoa excepcional naquela época. Mas eu acho que pelo menos as rainhas, há muitas... coisas que se conhecem, que se vão descobrindo e há bastante investigação atualmente sobre a história das mulheres em Portugal e a nível internacional.
53:11
Sobre a Lina Orteles... que ela tinha tido uma produção até documental dentro da corte muito importante.
53:20
Simplicativa. Sim, sim, a doutora Isabel Valeiras provou isso mesmo e em geral os trabalhos sobre as nossas ranhas têm sido...
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muito dinamizados no âmbito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no grupo da professora Ana Maria Rodrigues, da professora Manuela Santos Silva, de acordo com esta ideia do queenship, não é? Não apenas o kingship, o domínio dos reis, mas também a função das rainhas, o exercício da realeza por parte de grandes figuras femininas, e tem sido penso eu extremamente enriquecedor tem acrescentado muito porque é tirá-las da sombra e ao tirá-las da sombra iluminar aspectos muito importantes da história, não apenas da história da cultura mas também da história política portuguesa que de outra maneira ficariam eternamente na sombra e durante destes e as pessoas que
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O professor preparou, e eu, pronto, mas de uma forma obviamente não profissional dessa forma, mas foram 20 pessoas, 20 pessoas.
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No caso, sim, foram 20, sim, 20 pessoas em 21 partes. 21 episódios, sim.
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Em 21 partes. E pronto, este documento também podia ter sido dividido em três, se calhar ficou muito... O documento também, Ricardo Seixas, prolongou-se um bocadinho.
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Mas...
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Foi um desafio enorme e é isso se calhar também está um bocadinho aqui em cima da mesa para a eventualidade de uma continuação, mas isso aí temos que pensar melhor obviamente. e eventualmente até ter um modelo ligeiramente diferente nunca poderá ser imagino eu uma temporada com 10 episódios que foi o que se pensou aqui no início foram 10 pares e que foi uma trabalheira enorme obviamente para quem leva muito a sério o trabalho tem como historiador o meu desafio na altura até era um bocadinho mais naquela perspectiva da conversa e se falar do que sabia não tanto mas tentou evitar em termos de narrativa o que é que tentou fazer já aflorou um bocadinho mas eu sempre lhe disse não quero algo guionado não quero que seja um guião é uma conversa de nós os dois eu obviamente tenho o prazer enorme de ser o ouvinte com mais sorte porque estou aqui a ouvi-los em primeira fila e cara a cara e aprender muito obviamente sobre todas as pessoas que aqui trouxeram Masouva tentou manter Era semelhante a uma palestra, por exemplo?
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Não, uma palestra não, porque havia sempre um interlocutor, neste caso o Ricardo, que ia fazendo sempre o seu trabalho e bem, fazendo as observações que achava pertinente, tentando aclarar alguns episódios, trazendo outros assuntos à coleção, portanto não era uma... uma conferência Magister Dixit digamos assim e apesar de nós termos um guião que partilhávamos antes das sessões e de eu procurar ser completo de maneira a trazer as personagens desde o início até ao fim A verdade é que havia, houve sempre espaço ao improviso e quem ouve os nossos programas tem noção de que de vez em quando levantávamos voo numa direção ou noutra, depois retomávamos o fio à meada, mas isso era o nome do jogo, não é?
57:07
do espírito do próprio podcast e acho que é assim que tem que ser e que os nossos ouvintes terão apreciado isso também. Há muitas interrupções, muitos acrescentos. Um dos mais animados os mais animados precisamente foram aqueles em que tivemos convidados, não é? Portanto, a Leonor nos casos já citados e o Paulo Santos, para quem manda um abraço grande.
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Vamos tentar dar o número dele, vamos tentar engendrar aqui no
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maneira de o pôr... Porque no episódio do Beethoven ele deu uma colaboração excepcional. Aliás, para quem não ouviu ainda as duas partes do episódio Seixas e Beethoven, recomendo até porque o Ricardo se esmorou e colocou pequenas aperitivos musicais que...
57:56
são muito interessantes.
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O problema foi mesmo a questão dos direitos da autora isto é sempre muito complicado Mas eu pessoalmente que não sou uma especialista em música de modo nenhum, acho que ficou especialmente atraente ter os bocadinhos da música porque que por dois aspectos está-se a falar e ver o que é que se está a falar e acho que para quem ouve e muitas músicas nós já ouvimos muitas vezes e não temos a noção da história por trás acho que se compreende melhor a música conhecendo o contexto em que ela surgiu a quem é que foi dedicada, outras coisas assim acho que esse programa ficou muito valorizado com os excertos da música e sabe uma coisa?
58:36
Há algo muito engraçado que é Foram muitas horas. Se formos a pensar, foram... Quase cinquenta horas. Cinquenta horas. Cinquenta horas.
58:47
E acho que figurámos, foi assim só... Qualquer daqueles episódios acho que tinha dado conversa para muitas, muitas horas mais. Mas, em Avançandas, houve alguns episódios que lhe desse mais prazer a preparar, professor?
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Sim, nomeadamente o último, do Carlos Seixas e o Beethoven, porque se em relação ao Seixas eu tinha tido alguma cumplicidade com as comemorações do terceiro centenário do seu nascimento em 2004 em Coimbra já em relação ao Beethoven apesar de como muito modesto pianista amador de trazer por casa tocar algumas peças do Beethoven e portanto até por essa via peças muito simples ter algum contacto com a história dele e com a produção dele foi uma descoberta e um prazer enorme reconstituir todo o seu trajeto desde os primeiros anos em Bona até a sua morte em Viena em 1827, não é? Portanto, eu gosto de aprender e esse episódio puxou bastante para mim, apesar de saber que, a partir de certa altura, que contaria com a colaboração do Paulo para poder explicar o que é o contraponto, o que é a forma sonata ou o que é uma fuga, isso foi precioso.
60:13
foi um episódio que puxou muito para mim e que me deu imenso prazer até porque o preparei todo sempre ouvindo a música do Beethoven em casa à medida que ia lendo a biografia dele e diversos contributos de análise da sua produção musical esse deu-me muito gosto Deu mesmo muito prazer. Também gostei muito de voltar a Jesus e a Maomé, até porque eu em Coimbra criei em 2020 uma academia para o Encontro de Culturas e de Religiões, que é uma estrutura, é um projeto especial da Reitoria da Universidade de Coimbra que promove iniciativas na área do diálogo intercultural e interreligioso, que é um tema cada vez mais premente, e noto até porque, enfim, num parênteses, eu vou com alguma frequência às colinhas do básico e do secundário, e hoje pedem-me mais intervenções, mais palestras nessa área do que provavelmente na área da... da história militar e acho que isto é um padrão, é uma tendência que se está a confirmar. Portanto, gostei muito de voltar à história de Maomé e de Jesus. Eu diria também, como gosto muito de Bizâncio, adorei voltar a Justiniar e oferecer aos nossos ouvintes um...
61:49
Um díptico sobre dois dos três grandes impérios que existiram no Ocidente Europeu, naquilo que nós chamamos a Europa Ocidental e um bocadinho mais que a Europa Ocidental, Centro-Leste, no ano 800.
62:09
Temos o Islão na parte mais ocidental e depois o Império Carolíngio no centro e o Império Bizantino a leste, não é? À direita, digamos assim, no mapa. E isso deu-me muito prazer voltar a esse mundo que é um mundo cristão mas ortodoxo, que é um mundo clássico mas de língua grega, onde se vê nascer a expansão islâmica, Aparecer o alfabeto cirílico, ver aparecer os nacionalismos balcânicos, não é? De que hoje tanto se fala, foi muito agradável. De uma maneira geral, ou não tivesse sido eu a escolher os temas, não é? Não escolhi nenhum tema para mim molar, não é? Tive prazer em todos, mas destacaria este. E a Juliana Dark também foi muito interessante para mim, voltar a ela.
63:01
e houve assim alguma coisa que tenha redescoberto que já estivesse assim mais se calhar mais para o fundo de memória ou alguma coisa que de facto não soubesse sobre eles por exemplo as ligações entre a Cristina de Pisani e a Joana Dark não tinha bem presente
63:19
Eu escolhi-as pela coincidência geográfica e cronológica e pelo contraste entre elas uma escritora e uma heroína, digamos assim, movida por uma missão espiritual de que se incumbiu a si própria para desempenhar e que acabou por ter enorme influência política na história. na história francesa do século XV, mas depois percebi a articulação que provavelmente houve direta e indiretamente entre elas, e ao longo desse episódio, como aliás o Ricardo até comenta isso, creio que é na segunda parte do episódio, sobre a Joana d'Arc e a Cristina de Pisano, As decisões que eu fui fazendo entre a história da Joana d'Arc e a do Nuno Álvaro Pereira, que estão muitíssimo próximos no tempo, não é? Aliás, acho que até morrem no mesmo ano, em 431.
64:19
Também foi muito interessante, não é? Porque o próprio processo de canonização dela acompanha o processo de beatificação dele e há uma série de links nas histórias de que eu nunca me tinha apercebido e isso foi uma descoberta.
64:38
E a Leonora, da Leonora Teles e da Isabel, houve alguma que lhe desse mais prazer ou baixou o fomeiro de trabalhar alguma delas?
64:49
Não, não tenho assim nada assim a reportar. Acho que são duas personagens muito diferentes sobre as quais eu já tinha trabalhado.
65:01
Gosto bastante da Filipe de Lencastre, mas acho que a Rainha Santa, até por ser santa, é uma personagem fantástica e muito mais apelativa, claro.
65:11
Então, professora, nesta... E trazer convidados, porque é que se lembrou de puxar, digamos, foi só uma questão dinâmica, foi uma questão de trazer uma visão se calhar mais fresca?
65:25
Foram duas coisas, a dinâmica por um lado, mas foi sobretudo o facto dos convidados que trouxe, no caso a Leonor e o Paulo, saberem mais do que eu sobre...
65:35
os temas que eu próprio tinha discutido, não é? Portanto, eu sabia que a Leonor poderia fazer melhor, interpretar melhor o papel de Filipe de Lancastre e da Rainha Santa, em especial da Rainha Santa, e que o Paulo poderia dizer coisas sobre a obra do Beethoven que eu não seria capaz de dizer e, portanto, foi pensando no benefício dos ouvintes, digamos assim, que fiz essas opções.
66:11
E houve uma, se calhar a fazer lembrar o agora próximo de seres presidente, a questão das sugestões considerais, este momento também é importante para si.
66:25
Sim, eu acho que sim, porque eu acho que se fomos capazes, se tivermos sido capazes de despertar o interesse das pessoas relativamente a estas personagens, é natural que as pessoas também tenham depois curiosidade de aprofundar um bocadinho. Claro, têm os episódios em podcast, podem sempre voltar a ouvir quando conduzem ou quando estão a passar ferro, Ou quando estão a fazer jogging ou noutro cenário qualquer convencional da audição dos podcasts. Mas podem querer descobrir mais coisas, não é? E, portanto, achei que tinham a obrigação de também dar aos nossos ouvintes Essas pistas em termos de leituras e em termos de audição, no caso do Seixas e do Beethoven, e em todos, de uma maneira geral, de visitas de lugares da história associados a essas personagens, porque o turismo cultural é hoje uma indústria muito forte e as pessoas gostam de ir aos lugares que estão associados às personagens.
67:33
E, por exemplo, é isso, Leonardo, eu lembro-me que uma das coisas que tentou fazer foi cativar as pessoas a irem a alguns sitos específicos, não é? Ir ao posto da Alcoaça, ir a guia...
67:45
Exatamente, eu acho que em muitos casos... a pessoa deve ir só para ver o espírito do lugar, não é? É um pouco como a ideia da Rainha Santa, não agora que está tudo outra vez debaixo de água, mas mesmo não tendo já as ruínas do passo onde ela viveu, ir visitar o Mosteiro de Santa Clara à Velha e pensar na Rainha Santa, pensar quem é que viveu ali, pensar na história... do Pedro e da Inês, acho que é uma mais-valia, acho que é bom as pessoas conhecerem os lugares, conhecerem os museus, acho que ir ao Museu Machado Castro, mesmo que não seja para ver tudo, pelo menos ir ver as joias da Rainha Santa, acho que vale a pena, ir ver os túmulos, Acho que são coisas que valem a pena.
68:34
Já toda a gente foi ao Mosteiro de Alcobalha, mas se calhar ir ver com outros olhos coisas que já se viram ou ir ver outros pormenores. Portanto, despertar esse interesse pelas pessoas ou ir ler um livro...
68:48
E não se trata só de lugares portugueses, não é? Nós fizemos desafios para cumprir o conselho do Tenzin Gyatso, o 14º de Al-Alama, vai uma vez por ano a um lugar onde nunca foste e, portanto, sugerimos às pessoas que vão à Aix-la-Chapelle, à Capela Palatina de...
69:09
de Carlos Magno, perdão, ou que vão a Ravena ver os monumentos bizantinos ou a Istambul, já tem um grupo, por exemplo, Ricardo, que quer ir comigo a Istambul, não é? Por causa do episódio do Justiniano, não é? E portanto acho que isto também permite-nos sonhar que deixamos aqui uma sementinha, não é? Para as pessoas também poderem...
69:44
Completar um bocadinho a narrativa que eu tive a oportunidade aqui de fazer e, por outro lado, também dar uma dimensão diferente às suas férias, aos seus tempos livres, etc.
70:02
Deixo-me só perguntar-lhe há bocadinho, já aflorarmos a questão da paixão. Antes de avançarmos, não sei se o Paulo Nazaré Santos nos estará a ouvir, eu vou tentar, e o professor tem que lhe pedir o contacto dele, que eu posso tentar fazer aqui qualquer coisa, a ver se conseguimos pôr aqui...
70:23
é direto de alguma maneira também para dar a sua achega mas e por isso aproveito se calhar com o Leonor não sei se partilha deste último episódio vi o afim com que o professor Foi trabalhando nesta questão do Beethoven e do Carlos Seixas, não sei se também partilhaste, também faz parte desta paixão pela música?
70:50
Não, não partilha, lamento, mas não partilha paixão pela música. Mas ele trabalhou nesse episódio e acho que ele tem essa habilidade de fazer parecer simples ou poder parecer que é uma conversa que lhe sai com naturalidade, mas que tem muitas horas de trabalho e de investigação anteriores. Mas realmente a paixão pela música, lamento, mas não partilho.
71:17
Por acaso, passámos um bocadinho e eu gostava de lhe perguntar isso ao professor. Como é que se debruça sobre este trabalho? Ou seja... teus livros, mas como é que é mais ou menos o processo, como é que foi o processo de elaborar cada episódio? Foi primeiro aos livros, já tinha obviamente algumas ideias pré-concebidas, já sabia exatamente onde ir buscar determinadas coisas?
71:45
Sim, depende muito das personagens, mas em geral eram figuras sobre as quais... já dei aulas ou já fiz palestras e portanto aqui tratava-se na maior parte dos casos de aprofundar um bocadinho o trajeto delas, portanto de ambas, episódio a episódio, de completar informação, de me atualizar relativamente a alguns detalhes, de procurar nas fontes as melhores ilustrações para poder suportar às vezes as minhas análises com outro exemplo que fui aqui citando de ver biografia mais recente relativamente a Iamos de descobrir facetas novas também foi uma coisa que me interessou fazer e pronto portanto não tem grande segredo digamos assim gostando daquilo que se está a fazer é uma coisa que se faz naturalmente sem eu ter precisado me afastar dos meus processos normais naturais de trabalho Houve algum algum
73:04
Algum parque acha que gostaria de ter feito que não chegou a fazer? Sim.
73:09
Com certeza vários, mas assim o mais… Posso dar alguns exemplos de outros que ponderei e que acabaram por não entrar, porque também o ótimo é inimigo do bom e não podíamos ter demasiadas ambições.
73:32
Gostaria ter feito São Francisco de Assis e Lutero, por exemplo, até porque 2026 é um aniversário de São Francisco de Assis, vai-se falar muito nele. Quando escolhi Seixas e Beethoven pus a hipótese de fazer Chopin, de quem eu gosto particularmente, Com um artista, acho que no cardápio que oferecemos aos nossos ouvintes Faltou um artista plástico, digamos assim E gostaria de ter feito Chopin e Van Gogh Que estão separados por pouquíssimos anos Também pensei em fazer Gandhi e Mandela Gostava de ter feito um episódio sobre Napoleão Sei que as pessoas gostam dessas grandes personagens.
74:25
Deixe-me só, se calhar ainda não referiu, lembro-me que houve um comentário no Spotify que era um ouvinte que desafiava a fazer o Cervantes e o Camões.
74:36
Sim, Cervantes e o Camões seria muito interessante, sem dúvida. Ricardo Coração e Saladino também me foi sugerido e aliás... O meu querido amigo doutor Nuno Luz de Almeida fez precisamente uma tese de mestrado que eu acompanhei precisamente em torno destas duas figuras.
74:58
Se escolhesse hoje teria incluído Fernando Pessoa e Omar Kayan porque já estava o podcast no ar quando o meu querido amigo... O professor Fabrício Boscalha publicou ou editou um livro chamado Fernando Pessoa, o sábio árabe, editado pela Chantarine com profácia de Adalberto Alves, em que chama a atenção para a enorme paixão de Fernando Pessoa pela cultura islâmica. Teria sido interessante também. No domínio dos cornistas tivemos Fron Lópezé e Ala, mas podia ter tido Damião de Góes, que é fascinante, com Erasmo, com o qual ele próprio se carteava e que conheceu pessoalmente o Damião de Góes. No mundo muçulmano, por exemplo, juntar Al-Farabi com Averroes, teria sido muito interessante. Estão separados por uns séculos, mas Averroi está na Península Ibérica, não é? Nasceu em Córdoba e viveu na Andaluzia.
76:04
Al-Farabi é uma personagem mais para o século X, mas que é um verdadeiro viajante muçulmano que atravessa diversas regiões e que deixa uma marca na cultura europeia aliás nós temos a palavra Al-Farabi precisamente derivada do nome desta figura Al-Farabi a professora Catarina Bell publicou obras dele e é fascinante aqui o Alberto Mesquita deixa mais abaixo da gama e gostava de Colombo essa de Queiroz e Flaubert sim também tenho que me conter naquilo tive que me conter naquilo que conseguia fazer que achava que conseguia fazer em tempo útil para o nosso programa sem adiar assim adia isso porque depois também as coisas chegam ao ponto ou se fazem ou não se fazem mas há uma coisa que fica provada por temporada
77:03
10 é muita fruta, 10 episódios, 20 biografias é muita fruta, isso acho que fica provado, se calhar se houver uma segunda, se o professor tiver essa disponibilidade tem que ser um bocadinho mais contida.
77:17
Leonor, pergunto-lhe assim, havia algumas duplas que gostasse ter pegado?
77:26
Não pensei nisso, acho que as duplas são quase infinitas. Eu acho que estas personagens foram bem escolhidas por serem bastante variadas e por abarcarem não só as personagens mais conhecidas, tipo o Dom Diniz e a Rainha Santa, que já toda a gente ouviu falar, mas que podem ter uma nova perspectiva. É, certo. E também aquelas personagens menos conhecidas, quase o lado B da história, mas que acho que também é bom suscitar o interesse, oferecer essa possibilidade. a um público mais generalista, como é este que ouve o podcast. Não é cativar as pessoas para outras personagens menos conhecidas, um bocadinho mais fora da caixa, não digo mais apagadas, mas que não são tão famosas, digamos assim, ou mais inesperadas.
78:25
Deixa-me perguntar-lhe, já estivemos aqui um bocadinho mais imiscuídos na questão do podcast, quanto à sua investigação, o que é que está a fazer agora, o que é que as pessoas podem esperar de si nos próximos tempos?
78:41
Verdadeiramente, portanto, para além do trabalho da Academia para o Encontro de Culturas e de Religiões, a PSR, de que eu já falei, estou a gravar em episódios radiofónicos para a Antena 2, no programa Quinta Essência, por convite da Antena 2, do Dr. João Almeida, um livro que dirigi e que foi publicado pelo manuscrito, creio que... em 2021, chamado A História Concisa das Grandes Religiões Mundiais, em que fiz os capítulos das religiões orientais, hindubismo, budismo, confucionismo, o professor Alfredo Teixeira fez o cristianismo, a doutora Sofia Beata o judaísmo e a doutora Laura Martins o islão. E então estamos a fazer uma série, será mais ou menos uma dezena de episódios sobre cada uma destas religiões, que já começaram aliás a passar na Antena 2, mas estão em podcast, quem procurar Quinta Essência Antena 2 chega facilmente à história concisa das grandes religiões mundiais. E é sobretudo nisso que estou concentrado e que já por si só representa algum esforço porque cruzou com a última fase do nosso podcast e também colocou novos desafios. Por exemplo, vou gravar na quinta-feira o episódio sobre o Islão.
80:10
E já completei bastante até as minhas leituras sobre a vida de Maomé.
80:18
Não tinha mudado alguma coisa do nosso?
80:20
Não, mudado não, mas poderia ter acrescentado sim algumas coisas que agora sei e que na altura não sabia, que poderiam ser interessantes para compreender, por exemplo, a atividade... de Maomé, depois da Éger, em Medina, e a sua relação com as comunidades pagãs e judaicas da altura, e alguns dados também sobre a sua vida pessoal. Mas é assim, não é? O conhecimento é cumulativo, não é? E são estes novos desafios. De resto, tenho pouco tempo para me prender a muitas coisas mais, porque tenho muitas intervenções marcadas.
81:01
Eu lembro de ter falado de uma tradução, Estava a fazer uma tradução.
81:05
Sim, estou a completar a tradução da tipa portuguesa com um colega brasileiro, Henrique Modanés, sobre A Guerra da Gália, de Júlio César. A tradução está feita, estamos, temos editores, uma editora brasileira, e estamos a ultimar, de acordo com os pedidos da editora, o glossário, ilustrações e esses... Esses finalmentes também, portanto é uma coisa que está a ocupar há algum tempo, embora sobretudo ao Henrique nesta parte dos finalmentes, mas que há de dar depois trabalho também de revisão de provas e tudo isso.
81:46
E a Leonora também está com algum projeto, além se calhar de algum apoio que também dá ao seu marido?
81:55
Temos um projeto relacionado com o Novas Pereira, mas que...
82:02
Ainda é segredo Não, ainda não é segredo Mas que ainda é um pouco Um pouco cedo para divulgar, mas portanto trabalho não falta e espero em breve também poder gozar a reforma.
82:18
Já era tempo.
82:19
A reforma muitas vezes é muito mais ocupada. O projeto da Nova Espreira é muito interessante e é um projeto com enquadramento municipal e por isso é que também sugere alguma reserva. mas é algo que nos parece muito sério e que vale a pena apoiar. E nós temos que estar disponíveis para dar apoio a estes projetos que surgem de valorização das grandes figuras históricas e de ajudar a que as coisas saiam com a máxima qualidade possível. E se forem em regiões do interior do país, melhor, porque... Porque Portugal tem que enfrentar de vez o problema da desertificação do interior.
83:03
Professor, não sei se já estamos, já é quase meia-noite, já vai ficando um bocadinho tarde, sei que o professor também já deita-se um bocadinho mais para o cedo. Deixe-me perguntar, começando se calhar para o Leonor, Para deixar depois a última palavra para o professor e desde já agradecer a quem nos tem ouvido durante esta noite, ainda foram bastantes as pessoas.
83:30
Leonor, o que é que acha que as pessoas podem guardar para si de toda esta experiência de vidas em paralelo que ficou até lá?
83:41
Eu espero que guardem a boa recordação de ouvir falar de história de uma maneira rigorosa, sem dúvida, e informada, mas ao mesmo tempo descontraída. Uma coisa que se vai ouvindo como se lê um romance, sem esse formalismo de estar a ler...
84:04
uma enciclopédia no sentido mais formal, um livro de história, mas estar a ouvir contarem-lhe uma história, como, sei lá, os nossos pais nos contavam.
84:16
Essa é a minha ideia, por acaso, quando propus ao professor e que reparei que o próprio discurso do professor era muito assim, não era muito... Sim.
84:25
De contar a história, mas deixa-me um bocadinho a mesma pergunta, professor, aí não conseguimos trazer um pauto. Eu ainda vou tentar, vou deixar a Leonora conduzir a emissão, se calhar.
84:40
Então, João, o que é que te deixou de mais grato esta participação no podcast?
84:46
O trabalho aqui com o Ricardo e a hospitalidade aqui no estúdio da SIC e o termo proporcionado esta experiência única para mim e muito gratificante. Obrigado, Ricardo. Obrigado. Todo o entusiasmo e todo o profissionalismo que pôs do primeiro ao último episódio, conforme os ouvintes bem se aperceberam.
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E também a alegria de poder ter partilhado também mais este projeto com o Leonor em duas ocasiões e com o Paulo Santos no último episódio e fica claro o grande agradecimento aos ouvintes porque... nós tivemos uma grande quantidade de incitamentos e de comentários muito gentis e generosos que nos deram um estímulo para continuar e para tentar fazer cada vez melhor. E na verdade as audições que quase todos os nossos episódios tiveram com exceção, talvez, aqueles que foram apesar de tudo menos ouvidos, pelo menos no YouTube em que eu acompanho mais, foi a Joana Dark e a Cristina de Pisano, mas as pessoas ainda estão a tempo de recuperar para conhecer essa grande personagem, esse lado B, como dizia Eleanor, que é a Cristina de Pisano, O Seixas e o Beethoven é muito recente ainda e portanto estão ainda as pessoas a chegar lá Mas a esmagadora maioria dos episódios tiveram números absolutamente improváveis para um principiante nestas coisas como eu Que nos surpreendeu muito, não é?
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e portanto isso foi uma coisa que me animou pessoalmente sempre muito a tentar aprimorar episódio e cada vez mais o resultado final e estou muito grato aos ouvintes pela sua companhia e deixo beijinhos e abraços para todos esperando poder retribuir a confiança numa outra oportunidade.
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A Anitta Fernandes deixa obrigada pelos tesouros deixados. Sim, eu acredito que são alguns tesouros. Da minha parte, só tenho que agradecer e por me ter dado também esta oportunidade de partilhar um gosto pessoal que eu tenho, que é a história com uma pessoa, ou com várias pessoas, também com a Leonor e com o Paulo, que têm... Este saber sobre a história que é raro e que é muito especial é um privilégio estar na primeira, digamos, na linha da frente convosco e tentei dar o meu melhor também dentro de, obviamente não é a minha atividade principal, mas é sobretudo aquela atividade que também se faz com prazer e com gosto e é isso que também me levou a convidá-lo a embarcar num projeto este.
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Uma coisa é certa, eu vontade terei, mas depende muito mais do professor, tentar perceber também em que modelos é que poderá eventualmente haver uma segunda temporada, sem promessas, obviamente, porque como ouvimos o professor e o próprio Leonor têm muito trabalho no dia-a-dia, e pela frente mas acho que fica da minha parte o meu prazer e o prazer dos ouvintes de poder ouvir mas ainda vamos tendo aqui também alguns comentários parabéns pela temporada fabulosa diz o Alberto Mosquito obrigado por estes momentos únicos diz o Nuno Bentes não é viral mas é claramente aquelas obras que ficam e ainda serão interessantes daqui a muitos anos obrigado pelo trabalho e pela generosidade essa foi também uma das razões que eu acho que que dá outro valor entre aspas a este projeto é uma coisa que fica e estar na internet para sempre na internet como se costuma dizer também é muito interessante não sei se quer acrescentar mais
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Algum ponto de... Sim, não posso deixar de realçar que no início quando começámos isto éramos dois, depois com o Leonor três, depois com o Paulo quatro e no final somos cinco porque pelo caminho o Ricardo foi pai pela terceira vez e portanto o podcast também teve esse efeito bem-vasejo que foi...
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a largar a família do Ricardo com grande alegria para todos e com muito carinho vosso também para com ele e para comigo e com a minha família mas se calhar já vamos com quase duas horas sendo que perdemos bem meia hora do início à volta das questões técnicas deste podcast mas é quase meia noite vai ficando um bocadinho tarde quem quiser ouvir este directo vai ter com certeza e se tecnicamente isto não falhar vai ficar disponível no Youtube e no Facebook e depois vou tentar pô-lo também no Spotify que é outro grande veículo e temos quase tanta gente a ouvir no Spotify e até com mais afinco do que no próprio Youtube que é muito interessante e estamos a falar no Youtube temos mil seguidores de um podcast que não tem vídeo e o YouTube é uma plataforma de vídeo e não tem vídeo mas desde já deixar-lhe o meu obrigado fica a promessa da minha parte de eventualmente se repensar aqui alguma coisa o professor também com certeza pensar nisso quando tiver um bocadinho mais de tempo porque acho que os ouvintes merecem também porque de facto tem sido um apoio muito intenso e
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isto foi tudo feito obviamente para o Bono não ganhamos dinheiro com isto poderia haver eventualmente outras formas de financiamento isso numa segunda temporada eventualmente ver se há essa possibilidade ou não mas na verdade foram 21 episódios onde nós ganhámos sobretudo trabalho e tempo despedido, mas com certeza muitos amigos no caminho e isso é uma parte muito importante.
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Sem dúvida, foi mesmo por amor à camisola e essas são as coisas mais bonitas das nossas vidas.
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Muito obrigado. Obrigada a nós, boa noite. Boa noite, um abraço. João Gouveia Monteiro, Ricardo Bernancio, foi mais um Vidas em Paralelo. Vamos ver quando é que eventualmente podemos voltar. Muito obrigado. Muito obrigado por nos acompanhar. Uma boa noite para vocês.